13 de jan. de 2015

POUCA CHUVA NÃO RESOLVE CRISE HÍDRICA EM SÃO PAULO

A irregularidade das chuvas, com precipitações isoladas e passageiras acompanhadas de temporal, continua impedindo a recuperação dos reservatórios de abastecimento dos 39 municípios da região metropolitana de São Paulo e de regiões próximas da capital paulista.
Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o volume de água armazenada no Sistema Cantareira caiu na segunda-feira (12) de 6,6% para 6,5%, depois de ficar estável sábado e domingo (10 e 11) passados. Nesse manancial, de onde é retirada água distribuída a 6,5 milhões de consumidores, o volume de chuva atingiu 49,2 milímetros (mm) nos dez dias corridos deste mês ante a média histórica de janeiro, que é 271,1mm.
É uma situação mais confortável do que a de igual período do ano passado, quando a região teve o verão mais seco de todos os tempos. Nos dez primeiros dias de janeiro de 2014, o acumulado de chuva alcançou apenas 22,7mm ante 58,5mm em 2013, 110 mm em 2012, 296mm em 2011 e 168,4mm em 2010.
De domingo (11) para segunda (12) houve queda também nos níveis de operação dos demais sistemas de abastecimento administrados pela Sabesp. No Alto Tietê, a queda foi de 11,4% para 11,3%; no Guarapiranga, de 39,5% para 39,2%, no Alto Cotia, de 30,3% para 30,2%; no Rio Grande, de 70,6% para 70,3%; e no Rio Claro, de 27,9% para 27,5%.
Para tentar evitar um colapso na distribuição de água, o governo do estado recorreu, na semana passada, à tarifa de contingência, que punirá quem consumir além do gasto médio do período entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014 . O consumidor que elevar o gasto em até 20% pagará um adicional de 40%. Acima de 20%, a conta será corrigida em 100%.
De acordo com as previsões do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, a tendência é de novas pancadas de chuva sempre no fim de tarde, tanto na região leste de São Paulo, onde fica a capital, quanto no sul de Minas Gerais, nas cabeceiras do Sistema Cantareira. 

9 de jan. de 2015

SÉRIE DE OFICINAS SOBRE AGRICULTURA SUSTENTÁVEL É ENCERRADA EM CANUDOS PELO CAERDES



Ontem (8), no Memorial Antônio Conselheiro em Canudos (BA), aconteceram as duas últimas oficinas de produção orgânica para pequenos agricultores promovida pelo CAERDES - Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável. A capacitação, que acontece desde o ano passado, contou com 10 oficinas e abordou diversos conteúdos ligados à agricultura sustentável, como: adubação verde, canais alternativos de comercialização, formulação de defensivos naturais, manejo ecológico do solo e da água, entre outros. O curso tem como objetivo a implantação de um grupo de produtores orgânicos em Canudos, visando a qualidade de vida dos agricultores, da comunidade e uma renda digna para as famílias do campo.

Um desses agricultores é Sebastião Rodrigues de Sousa (62), que nasceu no interior de Minas Gerais, morou 38 anos em São Paulo e está há 4 em Canudos. Na década de 70, quando ainda morava em Osasco (SP), ele chegou a trabalhar em uma indústria de químicos. Mas, por conta do incômodo que sentiu ao ter contato com um dos produtos, Sebastião só ficou 3 dias no emprego. Ele lembra, sem muitas saudades, da época. "Por mais que eu escovasse os dentes, o gosto amargo não saía da minha boca", conta.

"Quero que meus netos e bisnetos tenham qualidade de vida no futuro", afirma Sebastião.


 Ele também teve outros motivos para optar pela agricultura orgânica, um deles é a maior qualidade de vida. A produção orgânica me cativou no sentido do bem-estar. Quem consome produto orgânico, com certeza, vai ter muito mais saúde”, afirma.

Quem também participou da capacitação foi Lucio Conceição Santos, que diz estar muito satisfeito com o projeto. "A gente tinha um sonho de ter um grupo para trabalhar com produção orgânica, e esse sonho está sendo realizado”, fala. Ele também destaca a importância de levar adiante a agricultura sustentável na região, não só para ter uma fonte de renda digna, mas também para mostrar para as pessoas que essa possibilidade existe. "Não adianta dizer para os consumidores que é bom e não oferecer o produto para que eles possam comprar", expõe. 

A capacitação promovida pelo CAERDES tem apoio do CNPq - Conselho Nacional de Pesquisa - e agora passará para a etapa de implantação do projeto, onde os primeiros passos para a criação do grupo de agricultores orgânicos serão tomados. O professor e agrônomo Jairton Fraga Araújo, coordenador do CAERDES e desse projeto, declara que a familiarização dessas pessoas com os princípios agroecológicos constituiu um passo fundamental para o futuro. "A gente não pode ter a pretensão de imaginar que essas pessoas já estão prontas com essas 10 oficinas. Não é assim, mas, elas foram familiarizadas com a linguagem da agroecologia", pondera.



Ele também destaca a relevância que foi enviar um documento para Miguel Rossetto, antigo ministro do Desenvolvimento Agrário e atual secretário-geral da presidência da República. "Ele se comprometeu em implementar o projeto de produção orgânica lá com os agricultores e no documento que nós fizemos, colocamos uma série de elementos fundamentais para que esse processo possa acontecer", declara.


Neste último dia de capacitação, os alunos participaram de uma dinâmica elaborada pelo professor Jairton e nela mostraram seus anseios de colocar em prática tudo o que aprenderam até aqui. O próximo passo, segundo o coordenador, é implementar uma unidade produção coletiva de frutas e hortaliças através de recursos do CNPq para que o grupo possa tomar os primeiros passos.

Texto e fotos: Mirielle Cajuhy
Estagiária em Assessoria de Comunicação

7 de jan. de 2015

AGROPECUÁRIA É A PRINCIPAL AMEAÇA PARA ESPÉCIES EM EXTINÇÃO



Fonte: ((o))Eco

A nova relação de espécies ameaçadas de extinção (clique aqui para ver a lista completa), divulgada na última semana de 2014 pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), aponta que a agropecuária é a principal ameaça para fauna em risco no Brasil.

Os dados apresentados pelo MMA ilustram um ciclo já conhecido por ambientalistas, em que florestas são substituídas primeiro por pastos, para, depois, darem lugar a plantações de monocultivo em latifúndios com uso intensivo de agrotóxicos e alto impacto ambiental. O avanço das fronteiras agrícolas acontece em todos os biomas terrestres com amplo financiamento de bancos públicos e privados, que, por vezes, desconsideram a varíavel ambiental ao conceder empréstimos e facilidades de financiamento.

O avanço da a pecuária na Amazônia, por exemplo, tem sido apoiado com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), que é gerenciado pelo Banco da Amazônia. Trata-se de fundo criado para promover o crescimento equilibrado da região, com o objetivo declarado de “atender às atividades produtivas de baixo impacto ambiental, cuja macrodiretriz é o desenvolvimento sustentável da Região Norte”.

Em todos os biomas terrestres, o avanço e intensificação da produção agropecuária são apontados como principal vetor para o risco de extinção, conforme é possível observar no gráfico divulgado pelo MMA e reproduzido abaixo:







O infográfico também traz informações significativas sobre outras ameaças graves ao meio ambiente. No bioma Marinho, na Amazônia e no Pantanal, a captura é fator de grave risco para a fauna. No Cerrado e no Pampa, ela fica praticamente junto com as queimadas, comuns na limpeza de terreno para abertura de pastos. Na Mata Atlântica e em Ilhas, a expansão urbana assume papel de destaque. Na Caatinga, o destaque é para a mineração.

Além da divisão de vetores de risco por biomas, a divulgação do MMA também apresenta o número de espécies ameaçadas, conforme é possível observar no infográfico abaixo (clique aqui para ver todas as espécies). A quantidade aumentou significativamente de 2003 para 2014, mas isso se justifica também pelo fato de mais espécies terem sido analisadas nesta edição.


6 de jan. de 2015

ONU E FAO DECLARAM 2015 ANO INTERNACIONAL DOS SOLOS

Fonte: Eco21



A América Latina e o Caribe têm as maiores reservas de terras cultiváveis do mundo, por isso o cuidado e a preservação dos solos são fundamentais para que a região alcance sua meta de erradicar a fome; os solos são de enorme importância para a produção mundial de alimentos, mas não prestamos suficiente atenção neste "aliado silencioso", disse o Diretor Geral da FAO, José Graziano da Silva durante o lançamento do Ano Internacional dos Solos 2015 (AIS). 

A FAO é a responsável pela implementação do AIS 2015 no âmbito da Aliança Mundial pelo Solo e em colaboração com os governos e a Secretaria da Convenção das Nações Unidas de Luta contra a Desertificação (UNCCD). 

De acordo com a FAO, os solos saudáveis estão na base da agricultura familiar, na produção de alimentos e na luta contra a fome e, ainda, cumprem um papel como reservatórios da biodiversidade. Além disso, compõem o ciclo de carbono, por isso que o seu cuidado é necessário para mitigar e enfrentar as mudanças climáticas. “É essencial manter um equilíbrio cuidadoso entre a necessidade de preservar os nossos recursos naturais e expandir a nossa produção de alimentos. 

O Ano dos Solos visa gerar esta consciência”, explicou Eve Crowley, Representante Regional Adjunta da FAO, que destacou que no dia 5 de Dezembro deste ano se comemora o primeiro Dia Mundial dos Solos. 

Degradação perigosa


Apesar de sua grande importância, a saúde dos solos enfrenta constantes e crescentes desafios. 33% das terras do Planeta estão degradadas, seja por razões físicas, químicas ou biológicas, o que é evidenciado em uma redução da cobertura vegetal, na diminuição da fertilidade, na contaminação do solo e da água e, devido a isso, no empobrecimento das colheitas. “O fato de que o solo não é um recurso renovável faz com que a sua preservação seja um desafio ainda mais urgente: um centímetro de solo pode levar milhares de anos para ser formado e este mesmo centímetro pode ser destruído em somente alguns minutos por uma degradação devido ao manejo incorreto”, explicou Crowley. 


14% da degradação mundial ocorrem na América Latina e no Caribe. Esta situação é ainda mais grave na Mesoamérica, onde 26% das terras são afetadas. Já na América do Sul, afeta 14% das terras. Quatro países da região têm mais de 40% de suas terras degradadas e em 14 países a degradação afeta entre 20% e 40% do território nacional. A degradação dos solos tem um impacto negativo em muitas de suas funções como na produção de alimentos e na prestação de serviços ecossistêmicos e suas principais causas incluem a erosão hídrica, a aplicação intensa de agrotóxicos e o desmatamento. 


A degradação também está associada com a pobreza: 40% das terras mais degradadas do mundo estão em zonas com altos índices de pobreza. Os agricultores pobres têm menos acesso a terra e à água, trabalham em solos pobres e com uma alta vulnerabilidade à degradação. 

Crescimento da agricultura

De 1961 a 2011, a superfície agrícola na América Latina e o Caribe aumentou de 561 para 741 milhões de hectares, com uma maior expansão na América do Sul, que cresceu de 441 para 607 milhões de ha. Cerca de 47% das terras cultiváveis da região estão cobertas por florestas, porém, este número está diminuindo como resultado da expansão da fronteira agrícola. Mundialmente, 12% das terras são utilizadas para cultivos agrícolas (1,6 bilhões de ha); 28% (3,7 bilhões de ha) correspondem a florestas; e 35% (4,6 bilhões de ha) correspondem a pastagens e outros sistemas florestais. 


Durante o ano de 2015, a FAO trabalhará com os governos, as organizações da sociedade civil, o setor privado e todas as partes interessadas para alcançar o total reconhecimento das importantes contribuições dos solos para a segurança alimentar, a adaptação às mudanças climáticas, os serviços essenciais dos ecossistemas, a mitigação da pobreza e o desenvolvimento sustentável.

20 de dez. de 2014

CAERDES LANÇA CARTILHAS EDUCATIVAS NA FEIRA DE ORGÂNICOS DE PETROLINA


Aconteceu ontem (19) no parque Josepha Coelho em Petrolina - PE, o lançamento de duas séries de cartilhas educativas elaboradas pelo CAERDES (Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sutentável): as duas séries, "Agroecologia" e "Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável" têm o objetivo de mostrar aos pequenos agrcitultores, pesquisadores e estudantes que é possível produzir alimentos livres de agroquímicos e biologicamente saudáveis.  Na ocasião, também foi inaugurada a Feira de Produtos Orgânicos, que contou com a participação de autoridades, estudantes e consumidores e proporcionou a certificação de aproximadamente 50 agricultores orgânicos da região. 

O Professor Jairton Fraga Araújo, coordenador do CAERDES, apresentou ao público presente os 13 volumes que compõem a coleção. As cartilhas possuem uma linguagem simples e foram produzidas pelo coordenador com o apoio dos bolsistas de pesquisa do Centro. Na ocasião, Jairton parabenizou os agricultores presentes e enfatizou as diversas possibilidades que uma agricultura sustentável e limpa proporciona. 

Prof. Jairton Fraga Araújo: "É possível sim fazer agricultura orgânica"

O Professor Jairton - coordenador do CAERDES - e os bolsistas de pesquisa do Centro
elaboraram 13 cartilhas educativas para pequenos agricultores.
A inauguração da Feira de Produtos Orgânicos também constitui um marco na região. Segundo Osnan Ferreira, Egenheiro Agrônomo da Codevasf e um dos organizadores da Feira, a demanda partiu dos próprios consumidores. "Eles querem acessar e comprar os produtos livres de agrotóxicos. Aí começamos a discutir, os produtores queriam também. Então, buscamos algumas parcerias", declara. Dentre os parceiros deste projeto, estão o SEBRAE, CODEVASF, UNIVASF e Ministério Público. 

Osnan Ferreira, Engenheiro Agrônomo da Univasf na abertura da Feira. 

Os produtores passaram por um processo de capacitação para obter a certificação, e, posteriormente, montaram a feira. Segundo Osnan, o objetivo é certificar 50 agricultores por semestre. Ele também atentou para a relevância que uma feira desse gênero tem na região do Vale do São Francisco. "O Vale é um dos maiores produtores de frutas do Brasil. Se conseguirmos avançar, seremos os maiores produtores de orgânicos do país", ressalta. 

Mariano Inácio dos Santos foi um dos produtores que recebeu a certificação na feira. Ele trabalha há quase 15 anos com agricultura sustentável e declara que uma das dificuldades que encontrou foi a aceitação dos consumidores. Mariano afirma que demorou para que as pessoas se interessassem pelos orgânicos, mas diz que, atualmente, os cidadãos têm se mostrado mais conscientes. 

Mariano trabalha há 15 anos com agricultura orgânica
Ele também comenta que juntamente com os colegas, lutou para que a feira orgânica tivesse seu próprio espaço. "Estamos lá na Areia Branca há 4 anos. E a nossa briga era pra sair de lá do meio do convencional, pra gente ter a nossa feira separada", expõe. Mariano também confessa que têm ótimas expectativas com o novo espaço e espera que cada vez mais, produtores e consumidores se conscientizem a respeito da sustentabilidade de alimentos. 

A feira orgânica será aberta a partir de agora todas as sextas-feiras, a partir das cinco horas da tarde. O organizador Osnan Ferreira ainda afirma que para 2015, já existe um projeto da construção do mercado para esses agricultores. No que diz respeito às cartilhas educativas, 10 coleções foram distribuídas entre os produtores presentes na feira. 

Texto e fotos: Mirielle Cajuhy
Estagiária em Assessoria de Comunicação

16 de dez. de 2014

EM MEIO À CRISE DA ÁGUA, DEPUTADOS DE SP APROVAM LEI QUE REDUZ MATAS CILIARES




A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou na noite de quarta-feira (10) o Projeto de “Lei do Desmatamento” (PL 219/14), que regulariza usos do solo e atividades irregulares em áreas de preservação e diminui a recuperação de APPs (Áreas de Preservação Permanente), deixando desprotegidas as matas ciliares e nascentes em São Paulo. Com a perspectiva de tornar ainda mais grave a atual crise de água no Estado, o PL é alvo de mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica, que alerta para os prejuízos e retrocessos que o projeto trará a São Paulo – com a mobilização, conseguiu adiar a votação durante uma semana. O projeto depende agora de uma sanção do governador Geraldo Alckmin para entrar em vigor.

A coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, que participou da única audiência pública realizada na Assembleia Legislativa com representantes de organizações de defesa do meio ambiente e acompanhou a votação, apontou problemas técnicos na elaboração do projeto. Para a SOS Mata Atlântica, o texto substitutivo aprovado sofreu alterações em relação à proposta original, mas repete os mesmos vícios da norma federal e não foi modificado em sua essência.

“Na prática, todo o retrocesso do novo Código Federal foi agora sacramentado no Estado de São Paulo”, afirmou Malu. “O projeto cria a possibilidade de exportar reserva legal para outros Estados, para recomposição de reserva legal, e descaracteriza completamente a função legal das Áreas de Preservação Permanente para fins de regularização de usos e atividades que até então eram irregulares. As APPs, de acordo com o novo Código Florestal, continuam tendo a função exclusiva de preservar rios, nascentes e mananciais. Por isso, não podemos aceitar que sua recuperação seja diminuída e desrespeitada”, explica Malu.

Segundo a especialista, o texto também não respeitou o acordo para a retirada do artigo que trata do uso de culturas lenhosas e espécies exóticas na recomposição (como pínus e eucalipto), em 50% da faixas de preservação permanente para propriedades com até 4 módulos fiscais, consideradas pequenas. “Relacionar a faixa de APP a ser recuperada com o tamanho das propriedades, com base em indicadores sócio econômicos das regiões, sem considerar a geografia, a dinâmica das bacias hidrográficas e dos rios, criando uma espécie de escadinha para as faixas de recuperação ciliar é um absurdo.

Outra grave ameaça é a diminuição da proteção de nascentes e olhos d’água, por exemplo, cuja faixa de preservação permanente caiu de um raio de 50 metros para apenas 15 metros em áreas consideradas consolidadas. “Resta à sociedade, portanto, denunciar a gravidade do processo de tramitação desse projeto de lei, que não considerou o grande arcabouço legal, técnico e institucional de São Paulo, bem como a crise da água, e cobrar firmeza do Governo do Estado. O governador pode vetar os retrocessos e elaborar um decreto ampliando a proteção e a recuperação ambiental em São Paulo, ouvindo os Comitês de Bacias Hidrográficas para garantir água nas regiões de escassez hídrica e o Consema para as áreas estratégicas para conservação”, explica Malu Ribeiro.

Em estudos recentes da SOS Mata Atlântica divulgados em outubro deste ano constatou-se que a cobertura florestal nativa na bacia hidrográfica e nos mananciais que compõem o Sistema Cantareira, centro da crise no abastecimento de água que assola São Paulo, está pior do que se imaginava. Hoje, restam apenas 488 km² (21,5%) de vegetação nativa na bacia hidrográfica e nos 2.270 km2 do conjunto de seis represas que formam o Sistema Cantareira. Não restam dúvidas de que o desmatamento da Mata Atlântica e da Amazônia tem relação direta com a escassez da água na região sudeste. Com menos proteção florestal, teremos menos água.

10 de dez. de 2014

NOVA LEI DISPÕE SOBRE AS SANÇÕES PENAIS E ADMINISTRATIVAS DERIVADAS DE CONDUTAS E ATIVIDADES LESIVAS AO MEIO AMBIENTE


Altera o art. 25 da Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e dá outras providências, para determinar que animais apreendidos sejam libertados prioritariamente em seu habitat e estabelecer condições necessárias ao bem-estar desses animais.


Íntegra:

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Esta Lei determina que os animais apreendidos em decorrência de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente sejam libertados prioritariamente em seu habitat e estabelece condições necessárias ao bem-estar desses animais.

Art. 2o O § 1o do art. 25 da Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 25. (...)

§ 1o Os animais serão prioritariamente libertados em seu habitat ou, sendo tal medida inviável ou não recomendável por questões sanitárias, entregues a jardins zoológicos, fundações ou entidades assemelhadas, para guarda e cuidados sob a responsabilidade de técnicos habilitados.

Art. 3o O art. 25 da Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, passa a vigorar acrescido do seguinte § 2o, renumerando-se os demais:

“Art. 25. (...)

§ 2o Até que os animais sejam entregues às instituições mencionadas no § 1o deste artigo, o órgão autuante zelará para que eles sejam mantidos em condições adequadas de acondicionamento e transporte que garantam o seu bem-estar físico.

Art. 4o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

8 de dez. de 2014

CAERDES ENCERRA II CURSO DE EXTENSÃO EM AGROECOLOGIA E AGRICULTURA ORGÂNICA

Estudantes do curso e bolsistas do CAERDES

Neste sábado (6) o CAERDES - Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável - encerrou o II Curso de Extensão em Agroecologia e Agricultura Orgânica. As aulas, que têm o objetivo de preparar jovens estudantes interessados em trabalhar com a agricultura sustentável, aconteceram nas dependências do Centro, localizado na Uneb de Juazeiro - campus III e foram ministradas pelo Professor Jairton Fraga Araújo. Foram diversos temas abordados nos cinco sábados de curso, desde Ética e Ecologia até Adubação Verde e seus benefícios para o solo. 

"A gente mostra aqui no curso que é possível fazer agricultura com bons níveis de produtividade, sem contaminar os alimentos nem agredir o meio ambiente", declara o
coordenador do CAERDES e professor do curso, Jairton Fraga Araújo. Ele ainda destaca outros benefícios da produção sustentável de alimentos, como não colocar a saúde das pessoas em risco devido aos agroquímicos, a redução dos custos de produção e o rendimento de frutos biologicamente saudáveis. 

No que diz respeito ao desempenho dos estudantes, Jairton acredita que ainda é cedo para afirmar que eles estejam prontos para a Agroecologia. No entanto, mostra-se otimista. "Nós lançamos as bases para que esses jovens, ao longo do 5 anos de curso (de Agronomia) faça a opção do que eles querem enquanto profissionais e consolidem o que aprenderam aqui", diz.

Willian Costa Bezerra é um dos jovens estudantes de Agronomia que participaram do curso. Ele está no início da graduação e diz que essa experiência foi um dos seus primeiros contatos com a Agroecologia. "Foi muito legal aprender as técnicas que envolvem a agricultura orgânica, o que ela promove, além de mostrar que essa produção não é algo superficial. É profundo e pode ser em larga escala", alega. Willian também comenta que o seu olhar a respeito da Agronomia e da Agricultura mudou. "Hoje dá pra ver que é possível produzir de forma sustentável", assegura.

Todavia, o curso de extensão não teve a participação apenas dos calouros. Luan David Alcântara está no 9º período de Engenharia Agronômica e esta é a segunda vez que ele participa dessa capacitação promovida pelo CAERDES. "O Centro mostra pra gente uma nova linha de pensamento, que é trabalhar com a agricultura sustentável visando novas técnicas para o nosso futuro profissional", declara.

O II Curso de Extensão em Agroecologia e Agricultura Orgânica foi encerrado com aulas sobre Rochagem (utilização do pó de rocha para fertilizar o solo), Adubação Verde (utilização de plantas como adubo) e Defensivos Naturais (produtos alternativos para controlar pragas e doenças sem agredir o ambiente e os alimentos). A iniciativa do curso é do CAERDES em parceria com o Diretório Acadêmico de Engenharia Agronômica da Uneb - campus III. O coordenador do CAERDES afirma que outras edições serão realizadas. "Temos uma tabela longa de cursos a cumprir".

Quanto ao legado que o Centro deixa aos estudantes, Carlos Diogo Medeiros - um dos organizadores do curso e bolsista do CAERDES - acredita que vai além do ensinamento teórico, pois, visa uma conscientização social, principalmente no que diz respeito a ver o seu colega de profissão como um parceiro e não como concorrente. Além disso, segundo o coordenador Jairton, a instituição também visa produzir conhecimento e transmiti-los, através de pesquisas e cursos como este, a estudantes, agricultoras, agricultores, quilombolas, indígenas e outros perfis da área.  

Texto e foto: Mirielle Cajuhy
Estagiária em Assessoria de Comunicação

4 de dez. de 2014

BRASILEIRO CONSOME 5,2 LITROS DE AGROTÓXICO POR ANO, ALERTAM AMBIENTALISTAS

Fonte: Agência Brasil
Texto: Vladimir Platonow


O Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos, cabendo a cada brasileiro o consumo médio de 5,2 litros de veneno agrícola por ano. O dado foi divulgado ontem (3) por ambientalistas, quando é celebrado o Dia Internacional da Luta contra os Agrotóxicos. A data lembra a tragédia ocorrida há 30 anos, na cidade de Bhopal, na Índia, quando uma fábrica da Union Carbide, atual Dow Chemical, explodiu, liberando toneladas de veneno no ar, matando nas primeiras horas 2 mil pessoas e outras milhares nos dias seguintes.



A data foi lembrada em diversas cidades brasileiras. No Rio de Janeiro foi organizado um protesto, na Cinelândia, em frente à Câmara de Vereadores. O integrante da coordenação nacional da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida Alan Tygel criticou o modelo agrícola brasileiro, dirigido à exportação e altamente dependente de agrotóxicos.

“Nós, aqui no Brasil, estamos desde 2008 na liderança como os maiores consumidores de agrotóxicos no mundo. Isso por causa do modelo adotado pelo país, do agronegócio. O Brasil se coloca no cenário mundial como exportador de matérias primas básicas, sem nenhum valor agregado, como é o caso da soja, do milho e da cana. São produtos que ocupam a maior parte da área agricultável brasileira, à medida que a superfície para alimentos básicos vem diminuindo”, destacou o ativista.

Segundo ele, o país é campeão no uso de agrotóxicos, com consumo per capita de 5,2 litros por habitante ao ano. “Mas isso não é dividido de forma igual. Se pegarmos municípios de Mato Grosso, por exemplo, como Lucas do Rio Verde, lá se consome 120 litros de agrotóxicos por habitante”, alertou Tygel. Os ambientalistas querem o fim da pulverização aérea - medida já praticamente banida em toda a Europa -, o fim da comercialização de princípios ativos proibidos em outros países e o fim da isenção fiscal para os agrotóxicos.

“Uma das nossas bandeiras é o fim da pulverização aérea, pois uma pequena parte do agrotóxico cai na planta e grande parte cai no solo, na água e nas comunidades que moram no entorno. Temos populações indígenas pulverizadas por agrotóxicos que desenvolveram uma série de doenças, desde coceiras e tonteiras até câncer e depressão, levando ao suicídio e à má-formação fetal”, enfatizou Tygel.

Além disso, ele ressaltou que o meio ambiente sofre forte impacto, com extinção em massa de diversas espécies de insetos, como abelhas, repercutindo na baixa polinização das plantas e na produção de mel. Também as águas são contaminadas com moléculas absorvidas pelos animais e pelo ser humano, levando a uma série de doenças que, muitas vezes, são passadas das mães para os filhos. Mais informações sobre o assunto podem ser obtidas na página www.contraosagrotoxicos.org.

3 de dez. de 2014

NOVO EXPERIMENTO DE TOMATE ORGÂNICO É IMPLANTADO NO CAERDES

Com o objetivo de avaliar a produtividade do tomate sob cultivo orgânico, o CAERDES - Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável - está implantando mais um novo experimento. 



O bolsista Saullo Melo, responsável pelo experimento juntamente com o Prof. Dr. Jairton Fraga Araújo, implantou o cultivo no dia 22 de novembro. São três espécies de tomate a serem analisadas. "Temos uma variedade comercial, que é local, e a outra recebemos da Itália", declara Saullo. 

Muda de variedade comercial

Nesta etapa do experimento, foi necessário fazer um processo chamado "repicagem": tirar as mudas que estão em excesso e recolocá-las em sacos que estão vazios, ou seja, onde as plantas não germinaram. 







15 PLANTAS QUE AJUDAM NO CONTROLE DE PRAGAS NA HORTA

Fonte: Ciclo Vivo
Fotos: iStock Photo

Ter uma horta orgânica em casa requer cuidados e dedicação. Para controlar a área de forma natural, sem utilizar produtos químicos como pesticidas ou agrotóxicos, mantenha as plantas que listamos a seguir próximas ao cultivo. A lista é do Manual Horta Orgânica Doméstica, elaborada pelo Clube do Jardim.

Alfavaca: Também conhecida como manjericão de folha larga, esta planta é muito comum no tempero de peixes. Além disso, o seu cheiro forte repele moscas e mosquitos. Mas, atenção, a alfavaca não deve ser plantada perto da arruda.



Alho: Além de ser um dos temperos mais utilizados na culinária, cultivar o alho em sua horta é benéfico, principalmente se você cultivar tomates. A planta atua como um repelente para pragas que costumam atacá-los.



Alecrim: O alecrim é considerado uma planta fácil de se cultivar e muito indicada para jardineiros principiantes, tendo boa tolerância a pragas. O arbusto é capaz de afastar a borboleta-da-couve e a mosca-da-cenoura. A sálvia é uma ótima companheira para o alecrim.



Cheiro-de-mulata: Conhecida pelos nomes de catinga-de-mulata, tanaceto, atanásia ou erva-de-São-Marcos, o aroma forte desta planta medicinal repele insetos voadores. Ela pode ser plantada em toda área da horta. A erva ainda é utilizada para fazer a água de cheiro, utilizada pela religião do Candomblé, por isso seu apelido, cheiro-de-mulata.



Hortelã: A planta herbácea é muito cultivada em todo o mundo devido às suas essências aromáticas. O cheiro da hortelã repele lepidópteros, como a borboleta-da-couve, formigas e ratos. É uma boa opção cultivar a hortelã nas bordas das lavouras.



Tomilho: A planta, muito utilizada na culinária em temperos de carnes e molhos, requer pouco cuidado e prefere terrenos secos. O arbusto do tomilho tem poder de  afastar a borboleta-da-couve, considerada praga em algumas plantas cultivadas, principalmente da couve, couve-flor e brócolis, onde as lagartas desfolham a planta.



Sálvia: De folhas longas e aveludadas, a sálvia tem um sabor forte e, ao mesmo tempo, refrescante, assemelhando-se levemente ao alecrim. A erva repele a mariposa do repolho.



Tagetes: Vulgarmente conhecido como cravo-de-defunto, por possuir odor considerado forte e até desagradável, ele é um ótimo repelente natural de muitos insetos e protege contra os nematóides.



Coentro: O coentro, muito utilizado na culinária brasileira, principalmente no norte e nordeste, é eficiente no controle de pulgões e ácaros.



Gerânio: Além de serem muito bonitos e possuírem diversas cores de flores, os gerânios ajudam a proteger o jardim, pois a espécie é um repelente natural de insetos.



Manjericão: As folhas do manjericão são muito utilizadas para molhos e temperos. O seu odor, além de muito agradável, ajuda a repelir moscas e mosquitos.



Citronela: A citronela é uma planta medicinal muito utilizada como repelente para insetos, sendo eficaz contra moscas, mosquitos e formigas. Ela ajuda a manter longe até mesmo os mosquitos da dengue.



Anis: Também conhecida como erva-doce, seu caule é muito utilizado em saladas e sua fruta em forma de semente é usada em confeitaria e em licor. O anis tem a capacidade de repelir as traças.



Capuchinha: Também conhecida popularmente como chagas, flor-do-sangue e agrião-do-méxico, é uma flor que pode ser comestível, desde que seja cultivada sem o uso de agrotóxicos. Ela repele nematóides, vermes que atacam e matam as plantas e insetos.



Losna: Planta medicinal, também conhecida como Absinto, Erva-do-fel, Alenjo, Erva-de-santa-margarida, Sintro ou Erva-dos-vermes. Além de possuir odor inseticida, ela afasta animais de sua horta. 






1 de dez. de 2014

CAERDES PRODUZ SÉRIE DE CARTILHAS EDUCATIVAS SOBRE AGROECOLOGIA, MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL



Com o objetivo de alertar a sociedade a respeito da sustentabilidade e das questões ambientais, o CAERDES - Centro de Agroecologia Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável - vai lançar duas séries de cartilhas educativas. A série 1 – “Agroecologia” – possui 10 volumes e aborda temas que vão desde os fundamentos agroecológicos e suas práticas até a formulação de defensivos naturais. A série 2, “Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável” possui 3 volumes: Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Resíduos Sólidos. O material foi produzido pelo Prof. Dr. Jairton Fraga Araújo e pelos bolsistas do CAERDES.

As cartilhas possuem uma linguagem simplificada e sucinta, para que as informações sejam acessíveis e compreendidas por todos. “Além da difusão do conhecimento, queremos que essas informações saltem os muros da universidade”, declara a estudante de Direito e bolsista do CAERDES, Kallinca Artuso.

Através de pesquisas, leitura e processos de edição, o material estava sendo produzido desde janeiro desse ano. Os exemplares serão distribuídos em várias instituições, dentre elas: universidades, instituições de apoio ao meio ambiente, órgãos públicos e comunidade. “É um conhecimento que nos enriquece e presta um serviço à sociedade”, afirma Kallinca. 

Texto e fotos: Mirielle Cajuhy
(Estagiária em Assessoria de Comunicação)

Slides: Saullo Melo (Bolsista CAERDES)


QUARTO DIA DO II CURSO DE EXTENSÃO EM AGROECOLOGIA E AGRICULTURA ORGÂNICA TEM ADUBAÇÃO COMO TEMA

Dando continuidade ao II Curso de Extensão em Agroecologia e Agricultura Orgânica, o CAERDES promoveu mais uma aula neste sábado (29). O tema desta vez foi a importância da adubação na agricultura orgânica, bem como a relevância da fertilidade do solo e as especificidades que esses fatores tem sob o ponto de vista agroecológico. Cerca de 40 estudantes de Engenharia Agronômica da Uneb compareceram para aprender um pouco mais no penúltimo dia de curso.

"As fontes que a gente utiliza para recuperar as características do solo, sobretudo as características químicas que são responsáveis pela fertilidade química do solo, são naturais", declara o Prof. Dr. Jairton Fraga Araujo, professor do curso. Ele reafirma ainda a importância de se utilizar adubos que tenham sido obtidos de processos orgânicos, pois este é um pressuposto fundamental na agricultura orgânica. "Dessa maneira, emprega-se isso para adubar as plantas e assegurar boas produtividades sem provocar efeitos colaterais que tornem elas  vulneráveis ao ataque de pragas e doenças", completa.

Após o intervalo, os alunos visitaram as áreas experimentais do CAERDES para ver como são feitos os adubos naturais e conhecer a produtividade das plantas através dos processos orgânicos que são desenvolvidos.



O II Curso de Extensão em Agroecologia e Agricultura Orgânica é uma realização do CAERDES em parceria com o Diretório Acadêmico do curso de Engenharia Agronômica da Uneb de Juazeiro. No próximo sábado (6) o curso encerra com o tema "manejo ecológico de pragas e doenças", trazendo uma boa expectativa para o futuro dos jovens alunos. "Vale como um despertar para esta possibilidade (da agricultura orgânica), para que eles entendam que o sistema tem outros olhares. A agricultura não é só a convencional", afirma Jairton. 

Texto e foto: Mirielle Cajuhy
Estagiária em Assessoria de Comunicação