7 de abr. de 2014

COLÉGIO ANTONILIO DA FRANÇA CARDOSO REALIZA SEMINÁRIO DE SENSIBILIZAÇÃO PEDAGÓGICA



Reunidos no auditório da Univasf, no dia 03 de abril, gestores, Coordenação Pedagógica, professores e alunos do Colégio Antonilio da França Cardoso Realização um proveitoso seminário de sensibilização pedagógica,, o evento teve como objetivo definir as atividades pedagógicas do ano letivo de 2014, tendo como ponto basilar o Programa Ensino Médio Inovador ( Proemi), que será Coordenada pela professora Adriana Filipe, e  o Projeto a ser desenvolvido pelo Colégio e o CAERDES( Uneb): ESCOLA & VELHO CHICO: UM OLHAR REFLEXIVO, Coordenador pela professora Valdênia Ferreira. Duas  palestras foram realizadas professora Giselle Leão, enfocou a autoestima do aluno, Professor Paulo Enfatizou na sua palestra a necessidade aprender para vencer. O seminário foi considerado um sucesso por todos.



2 de abr. de 2014

O FUTURO DA ÁGUA BRASILEIRA SERÁ DECIDIDO NOS TRIBUNAIS?

Mesmo com um décimo da água potável do mundo, país já tem um conflito por água a cada quatro dias; além de mais frequentes, disputas vêm ganhando proporções inéditas.



O Brasil detém pouco mais de um décimo das reservas de água potável do mundo, no entanto, o país já registra um conflito por água a cada quatro dias, segundo o mais recente relatório da Comissão Pastoral da Terra, órgão ligado à Igreja Católica, obtido com exclusividade pela BBC Brasil. Em 2013, foram registradas 93 disputas locais em 19 Estados, 17% a mais do que no ano anterior. Mas esses conflitos não estão se tornando apenas mais frequentes. Também vêm assumindo dimensões inéditas.
Há pouco mais de uma semana, os governos de São Paulo e Rio de Janeiro vivem um embate. A razão é o projeto de São Paulo de captar água do Rio Paraíba do Sul e levá-la ao sistema Cantareira, grupo de reservatórios que abastece 15 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo e no interior do Estado. O problema é que este rio já abastece outras 15 milhões de pessoas no Grande Rio e no interior paulista. O governo fluminense é contra a proposta. Desde então, Rio e São Paulo trocam farpas e ameaças de processo publicamente.

O rio Paraíba do Sul abastece 15 milhões de pessoas  (Foto: BBC)
O rio Paraíba do Sul abastece 15 milhões de
pessoas (Foto: BBC)
Prejuízos

O Rio alega que será prejudicado porque hoje não tem outra fonte de abastecimento. São Paulo retruca que a ligação não trará prejuízos ao Rio, porque só captaria 5% do volume fornecido atualmente ao Estado fluminense e que a medida será vantajosa para ambos os Estados porque, quando chover demais no reservatório que atende São Paulo, será possível guardar o excesso de água no reservatório que atende o Rio (e vice-versa), criando um sistema de estoque para quando chover pouco.
São Paulo ainda alerta que o Rio não pode interferir na questão porque a ligação estaria dentro dos limites paulistas. 'Providenciaremos os documentos necessários para a permissão', diz o secretário estadual de saneamento e recursos hídricos de São Paulo, Edson Giriboni, à BBC Brasil. 'Sempre podemos recorrer à Justiça se necessário. Se vamos ou não fazer isso, depende deles'.
Se a permissão for concedida a São Paulo, ela poderá ser questionada no Supremo Tribunal Federal, instância onde são resolvidas as contendas entre Estados. 'Não se pode dizer que vai fazer o quiser porque o rio é fluminense ou paulista. O curso da água não respeita fronteiras', afirma Kishi, do MPF. 'Essa decisão caberá ao comitê que administra a bacia do Paraíba do Sul.'
Fim da ilusão

Haver disputas por água no Brasil é uma situação que, a princípio, parece contraditória. O país detém 12% da água potável do mundo e sempre foi apontado como uma das regiões do planeta onde haverá menos riscos de falta de água neste século.
Mas a estiagem entre dezembro e fevereiro passados, a pior em oito décadas, mostrou que essa abundância é uma ilusão. Há muita água, mas ela está mal distribuída. Cerca de 80% fica na região amazônica, onde vive 5% da população. Os outros 95% dos brasileiros precisam dividir os 20% que restam.
Esse problema se agrava porque grande parte das fontes de água nas regiões mais populosas do país está poluída demais. Um levantamento da ONG SOS Mata Atlântica mostra que 40% de 96 rios, córregos ou lagos das regiões Sul e Sudeste apresentam qualidade ruim ou péssima. Quanto mais próximo dos centros urbanos, pior sua situação.
'A ideia de abundância nos mimou', diz Rômulo Sampaio, do centro de meio ambiente da escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio. 'Os políticos não investiram o suficiente porque pensaram que não seria necessário e ainda maltratamos os recursos que temos.'
Conflito de interesses

Isso obriga cidades a ir buscar água cada vez mais longe. Em algum momento, seus interesses entram em conflito. É o que ocorre entre Rio e São Paulo e entre outros Estados brasileiros (veja box ao lado).
Com a estiagem, o nível do sistema Cantareira chegou a 14%, o menor nível desde sua criação. A fragilidade do sistema que abastece metade da população da Grande São Paulo ficou evidente e fez o governo paulista querer por em prática o projeto do Paraíba do Sul, que estava em estudo havia seis anos.
'Solucionar a questão hídrica é o maior desafio do Direito ambiental hoje', afirma Sampaio. 'Temos boas regras para lidar com isso, criadas nos anos 1990. Agora elas serão testadas.'
De quem é a água?

A Política Nacional de Recursos Hídricos foi criada em 1997 e, desde então, é o principal norte da gestão da água no país. Nela, foram estabelecidos princípios importantes, como a prioridade do abastecimento humano e de animais e o incentivo ao uso eficiente da água. Mas a lei não diz quem tem mais direitos sobre determinada fonte hídrica.
O advogado Paulo Affonso Leme Machado, ex-consultor da ONU e um dos mais respeitados especialistas em Direito ambiental no país, defende uma interpretação conjunta de três artigos da política que daria prioridade ao uso das águas de uma bacia aos habitantes dos municípios que existem nela.
'Isso não está expresso na lei, mas pode ser inferida porque ela estabelece a bacia hidrográfica como unidade mais importante do sistema hídrico, cria o controle do uso e afirma que tudo que é arrecadado com suas águas deve ser reinvestido, em primeiro lugar, na própria bacia', diz Machado.
A partir dessa interpretação, defendida também por outros juristas consultados pela BBC Brasil, São Paulo não teria o direito de usar recursos de uma bacia fora de seus limites geográficos em prejuízo de outras cidades que estão nesta bacia. 'Fazer isso é mais que injustiça, é anarquia', diz Machado.
Teste nos tribunais

Esta interpretação ainda não foi testada nos tribunais, o que pode ocorrer em breve não só por causa da disputa entre Rio e São Paulo, mas também por outro conflito envolvendo a Grande São Paulo.
A permissão de uso do Cantareira expirará em agosto e está sendo rediscutida. Além da região metropolitana da capital paulista, este sistema abastece 76 cidades no interior do Estado, que pedem mais água além do limite atual para a região, de 3 mil litros por segundo.
No entanto, o Cantareira já opera no limite estabelecido por regras ambientais. Para o interior ter mais água, seria preciso reduzir o volume de 24,8 mil litros por segundo fornecido à Grande São Paulo, que por sua vez também pleiteia um limite maior. Não será possível atender às duas regiões sem causar danos ao sistema.
As cidades do interior alegam que, na nova permissão de uso do Cantareira, é preciso haver uma distribuição mais equilibrada da água, princípio previsto em convenções internacionais sobre o tema. As cidades do interior afirmam que, se isso não for feito, sua economia não poderá mais crescer, porque novas indústrias que dependem de água não conseguirão licenças ambientais.
Estas cidades ainda questionam por que não foi cumprida a condição prevista na permissão de uso do Cantareira concedida há dez anos de fazer investimentos para reduzir a dependência da Grande São Paulo em relação a este sistema. 'Pedimos explicações ao governo estadual para resolver isso na esfera administrativa, mas iremos à Justiça se as respostas não forem satisfatórias', diz a promotora Alexandra Faccioli, do Ministério Público Estadual.
Novos conflitos à vista

O debate sobre o uso da água é mais relevante diante da previsão de que os conflitos hídricos serão mais comuns daqui em diante. Segundo o Pacific Institute (IP), um dos principais institutos de pesquisa sobre o tema do mundo, o número de disputas hídricas violentas no mundo quadruplicou na última década e o risco de novos conflitos só crescerá com a maior competição pelo recurso, o atual gerenciamento ruim das fontes hídricas e os impactos das mudanças climáticas
Antônio Carlos Zuffo, especialista em planejamento hídrico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ainda alerta que a oscilação histórica do clima acentuará a falta d'água. O pesquisador explica que entre 1970 e 2012 houve chuvas até 30% acima da média histórica. 'Agora estamos entrando num período de algumas décadas de chuvas abaixo da média', afirma Zuffo. 'A disputa por água se intensificará.'
Os órgãos federais se dizem preocupados com esse acirramento dos conflitos e trabalham para mediá-los antes que se agravem a ponto de a única solução ser a via judicial. No caso específico entre Rio e São Paulo, isso significa fazer com que os dois Estados cheguem a um entendimento baseado em estudos sobre o aproveitamento das águas do Paraíba do Sul.
'Nosso papel é estimular um debate técnico e evitar a politização dessa questão, para que esse tipo de problema não caia na Justiça', afirma Rodrigo Flecha, superintendente de regulação da Agência Nacional de Águas (ANA).
Para o secretário nacional de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Ney Maranhão, os dois Estados precisam chegar a um consenso quanto a uma gestão compartilhada destes recursos hídricos.
'Rio e São Paulo precisam sentar à mesa e elaborar um sistema que seja confortável para os dois lados', afirma Maranhão. 'Uma discussão dessa natureza não pode ser discuta emocionalmente.'
Fonte: g1.globo.com

DANOS CAUSADOS PELAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS SÃO "SEVEROS E IRREVERSÍVEIS", DIZ IPCC

Além disso, até 2050, o relatório prevê o alastramento de doenças devido às temperaturas extremas e baixa disponibilidade de comida; sendo assim, uma guerra civil poderá acontecer.


Liderado pelo cientista Chris Field, o segundo grupo de trabalho responsável pela produção do 5º Relatório de Avaliação (AR5), do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), publicou os resultados de seus estudos nesta segunda-feira (31/03), em Yokohama, no Japão. Assim como as prévias divulgadas na semana passada, o documento ressalta que as alterações de temperatura deverão causar “efeitos severos e irreversíveis” por todo o planeta, nos campos de recursos hídricos, segurança alimentar e extinção de espécies.
Conforme o “Climate Change 2014: Impacts, Adaptation, and Vulnerability” (Mudanças Climáticas 2014: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade, numa tradução do inglês), elaborado por uma equipe composta por 71 pesquisadores, incluindo o brasileiro José Marengo, membro titular da Academia Brasileira de Ciências, a interferência humana em relação aos sistemas do clima já está ocorrendo, o que acarreta riscos para o homem e natureza em geral.
Avaliando os perigos a que a vida no planeta Terra está exposta, os cientistas acenam com a possibilidade de que os danos podem ser reduzidos e administrados através de adaptação e mitigação das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), principais substâncias provocadoras do aquecimento global. De acordo com o AR5, caso nenhuma medida de conservação seja implementada, as perturbações da temperatura afetarão especialmente as pessoas mais pobres, pois, suas fontes de sustento serão degradadas.
O AR5 indica que as geleiras continuam a derreter, impulsionando o deslocamento de espécies e a extinção de elementos da fauna e flora, assim como a migração de populações assoladas pela escassez de recursos ou devido a eventos extremos. Desta forma, a resiliência é o caminho para o desenvolvimento sustentável, apresentando-se como uma “trajetória que combina adaptação e mitigação para diminuir as mudanças climáticas e seus efeitos”.
Mudanças climáticas
Foto: © Depositphotos.com / originalstoonn
Segundo a pesquisa, ainda não é possível estimar os impactos das mudanças climáticas na economia global, por conta da amplitude de setores que o fenômeno abrange. No entanto, o IPCC já projeta que os salários, preços, regulamentos, tecnologia, padrões de consumo e governança serão as áreas mais atingidas pelas transformações infligidas à atmosfera.
De maneira geral, longos e frequentes períodos de seca farão com que a agricultura sofra sérios danos, tendo que ser transferida para localidades mais frias, uma ação necessária, considerando as futuras situações. Contudo, essa prática aumentará a tarifação dos alimentos, tornando-os menos acessíveis às comunidades carentes e dificultando o ingresso de novos cultivadores no mercado alimentício, pois será requerido mais investimento em infraestrutura, procedimentos técnicos e de logística.
Até 2050, o estudo prevê que o aquecimento global irá exacerbar os problemas de saúde que existem atualmente, seja por ondas de calor, frio intenso ou baixa disponibilidade de comida. Em 2100, os altos índices de emissão de GEE aliados ao clima quente e a pouca umidade do ar deverão comprometer atividades humanas, como o plantio e a execução serviços em áreas externas.
Sendo assim, pessoas deverão se deslocar em busca de recursos em outras regiões, o que “eleva os riscos de violentos conflitos na forma de guerra civil e atritos entre grupos”, deixando a integridade territorial de muitos países em condições críticas, alerta o 5º Relatório de Avaliação.
Mudanças climáticas
Foto: © Depositphotos.com / AchimHB
Basicamente, os prejuízos gerados pelo fenômeno serão partilhados ao longo de todo o globo terrestre. Exemplo disso é que a China, consumidora de grãos, irá enfrentar longas temporadas de estiagem; mais incêndios ocorrerão na Austrália por causa da seca; a África terá problemas com falta de água; já o norte da Europa terá enchentes, principalmente devido ao constante derretimento das geleiras na Groenlândia.
No Brasil, as ameaças mais significativas têm como alvo a biodiversidade, possibilitando a aniquilação de alguns tipos de animais e vegetais. Entretanto, se projetos de adaptação baseados em ecossistemas forem implantados, os biomas entrarão em equilíbrio, algo que proporcionará climas estáveis, fornecimento de água e alimento, facilitando a preservação de todas as espécies, inclusive o homem.

Fonte: www.pensamentoverde.com.br

24 de mar. de 2014

A HISTÓRIA DA POLUIÇÃO EM CUBATÃO E COMO A CIDADE DEIXOU DE SER O "VALE DA MORTE"

O crescimento industrial desgovernado fez de Cubatão a cidade mais poluída do mundo, mas com planejamento a cidade tornou-se exemplo ambiental




Cubatão

Cubatão. Foto: cubatao.sp.gov
Localizado a 40 Km da capital do estado de São Paulo, o município de Cubatão, que atualmente é visto como exemplo de planejamento e consciência socioambiental, já teve grandes problemas relacionados a poluição do meio ambiente.
Durante o início da década de 80 a cidade era mundialmente conhecida como “Vale da Morte”, sendo apontada pela ONU como o município mais poluído do mundo. O boom industrial que fez de Cubatão um dos polos industriais mais ricos do país, pagou um alto preço por não se preocupar e nem se resguardar quanto aos danos causados por toneladas de poluentes lançados no meio ambiente.

História

Durante o governo de Juscelino Kubitschek, década de 50, deu-se início a um processo acelerado de industrialização do Brasil e Cubatão, até então, era um paraíso verde. Cercada pela Mata Atlântica, a cidade era rica em recursos naturais e estava estrategicamente localizada: a apenas 40 km de São Paulo, maior berço econômico do país; e do Porto de Santos, o maior porto da América Latina, e por onde entram e saem grandes quantidades de mercadorias. Ou seja, um local perfeito para dar início ao grandioso centro industrial paulista.
Na década de 1960, Cubatão contava com 18 grandes indústrias, sendo uma refinaria, uma siderúrgica, sete de fertilizantes e nove de produtos químicos. A construção delas aconteceu de forma indevida e invasiva ao meio ambiente. Em 15 anos cerca de 60 Km² de Mata Atlântica havia sofrido a degradação, formando uma clareira que podia ser vista por quem descesse a Serra do Mar.
Contudo, os governantes da cidade, assim como os empresários, não se preocupavam em reverter a situação, uma vez que a poluição de Cubatão rendia bilhões ao ano, levando a cidade a ser uma das cinco maiores arrecadadoras de impostos do estado, cerca de 76 bilhões de cruzeiros. O município representava 2% de toda a exportação do país.

Vale da Morte

Cubatão
Morador de Cubatão observando a poluição em 1980. Foto: valor
O intenso volume que as indústrias trabalhavam, eliminando quantidades enormes de poluentes no ar e nos rios de forma descontrolada, começou a ter consequências catastróficas visíveis e preocupantes. Vale lembrar que a industrialização aconteceu antes da Lei de Controle de Poluição do Estado de São Paulo entrar em vigor (1976).
O ar de Cubatão no início dos anos 80 era denso, possuía cheiro e cor. Segundo dados da CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo), 30 mil toneladas de poluentes eram lançadas por mês no ar da cidade, peixes e pássaros sumiram da poluição de Cubatão, pois não havia condições naturais para sobreviverem e nem para se reproduzirem, mas o estado só começou a intervir quando os danos à saúde da população começaram a demonstrar números alarmantes.
Entre outubro de 1981 e abril de 1982, cerca 1.800 crianças nasceram na cidade, destas, 37 já nasceram mortas, outras apresentavam graves problemas neurológicos e anencefalia. Cubatão era líder em casos de problemas respiratórios no país.
A ONU alarmou o mundo sobre os problemas e consequências causados pela poluição do polo industrial, usando a cidade como exemplo a não ser seguido.

Recomeço

O governo do estado convocou a CETESB para que fizesse um mapeamento e estudo das causas da poluição na cidade litorânea, com isso, a partir de 1983 foi implantado um plano de recuperação ambiental. Governantes, industriais e população passaram a trabalhar em conjunto pela recuperação da saúde local. Em 1989 as 320 fontes poluentes que existiam na época já estavam controladas.
O plano de controle ambiental foi feito com medições constantes das emissões de poluentes no ar e do controle da despoluição dos rios, causados pelo despejo de substâncias tóxicas indevidas em grande escala, gerenciamento por conta do estado e investimento em maquinário moderno por conta das indústrias. Metas a serem seguidas e um planejamento rigoroso foram essenciais para que a situação fosse controlada, segundo arquivo da secretaria do meio ambiente do estado de São Paulo. Além do controle das emissões de poluentes, também foram feitos planos de recuperação da Mata Atlântica com o replantio da vegetação nativa.
Guará-vermelho
Guarás-vermelhos em mangue de Cubatão.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Cubatão
A volta do guará-vermelho, pássaro típico da região, foi o marco de que a qualidade de vida voltava à cidade. Em 1992, durante a Eco 92, Cubatão foi apontada pela ONU como Símbolo de Recuperação Ambiental, tendo 98% do nível de poluentes controlados, e passou a ser exemplo em todo o mundo como a cidade que renasceu das sombras da poluição.
A cidade, no final dos anos 80, utilizou da Agenda 21 para recuperar a qualidade de vida socioambiental perdida com a poluição causada pelo polo industrial. A Agenda 21 é um método de planejamento que tem por objetivo construir sociedades sustentáveis, nela é possível mesclar a proteção ambiental, a justiça social e eficiência econômica. Por essa razão, mesmo hoje, livre da poluição, Cubatão consegue manter uma linha de produção acentuada e que gera milhões de reais todos os anos. Em 2011 Cubatão apresentou 100% de controle de poluentes.

Fonte: Pensamento Verde

SAIBA COMO FUNCIONA A LOGÍSTICA REVERSA DE PNEUS

Como reaproveitar e dar destino final correto para os quase 70 milhões de pneus fabricados anualmente no Brasil?


Foto: motonline
De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (estabelecida pela lei 12.305 de 2/08/2010), a logística reversa pode ser definida como “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”.
Ou seja, a logística reversa faz com que a indústria que produz o material consiga recolhe-lo e reutiliza-lo dentro do seu ciclo produtivo.
Quando falamos de pneus, somente no Brasil são fabricados anualmente cerca de 70 milhões de unidades. Pela resolução do CONAMA nº 258/99, os fabricantes e importadores de pneus devem coletar e dar destinação final aos pneus. Além disso, os distribuidores, revendedores, reformadores e consumidores finais são corresponsáveis pela coleta dos pneus usados. Sendo assim, as oficinas que fazem a venda de pneus devem recolher os pneus que os consumidores estiverem trocando.
Os pneus são um dos principais produtos a serem inseridos no sistema de logística inversa para o CONAMA, pois são grandes poluidores do meio ambiente quando descartados em rios e terrenos.
No processo de descarte os pneus são enviados para os postos de coleta específicos onde serão retirados pelo fabricante. Após serem recolhidos pelos fabricantes, podem ser levados até as empresas de trituração e picotagem cadastradas. Os fragmentos de pneu são reutilizados como combustível alternativo nas indústrias de cimento, matéria-prima na confecção de pisos, blocos e guias em substituição à brita, confecção de solados de calçados, borracha para vedação, peças de reposição para indústria automobilística, entre outras maneiras.
Pneu
Foto: tutness




No segmento de recapagem, as empresas reformam pneus e destinam corretamente o pó de borracha, um dos principais resíduos do processo de reforma. Este pó é utilizado como fonte de energia alternativa e também usado em quadras poliesportivas.
Para cada uma das finalidades acima, o pneu sofre um processo diferente de reaproveitamento, além da possibilidade de reutilização em novos pneus, chamados recauchutados.


Fonte: Pensamento Verde

18 de mar. de 2014

AGROTÓXICOS: UM PERIGO À LONGO PRAZO

O princípio de uma alimentação orgânica está diretamente relacionado ao desenvolvimento sustentável e a uma vida mais saudável. Anualmente são realizados diversos estudos baseados na quantidade de contaminação ocasionada em virtude de uma alimentação baseada em alimentos provenientes de fontes que no momento de sua produção ocorreu a utilização de insumos químicos.
A ação das substâncias químicas no organismo humano pode ser lenta e demorar anos para se manifestar, além de malefícios causados à saúde dos consumidores que frequentemente fazem uso destes alimentos, a degradação causada no solo é bastante significativa, lembrando que uma vez este solo contaminado, lençóis freáticos e rios podem ser atingidos gerando desequilíbrios biológicos e ecológicos em virtude de tamanha agressão ao meio ambiente.
Segundo pesquisas realizadas pela Organização Pan-Americana de Saúde – OPAS, em 12 países da América Latina e Caribe, o envenenamento por produtos químicos, principalmente pelo chumbo e pelos pesticidas, representa 15% de todas as doenças profissionais notificadas. Além dos prejuízos causados aos consumidores destes produtos, profissionais agrícolas manejam diariamente substâncias tóxicas durante o plantio dos alimentos, gerando um risco maior de contaminação nestes profissionais.
De acordo com a OPAS, a intoxicação por agrotóxicos ocorre através de três vertentes:
 Aguda: Os sintomas são percebidos a partir do contato imediato com estes produtos químicos, algumas horas após a exposição.
 Subaguda: Após uma exposição moderada os sintomas são percebidos de maneira subjetiva e de aparecimento mais lento, como uma dor de cabeça fraqueza ou sonolência.
 Crônica: Este tipo de intoxicação esta relacionada após meses ou anos de exposição aos produtos tóxicos, causando assim danos irreversíveis à saúde.
Os tipos de intoxicação citados acima são adquiridos através dos produtos em direto contato com a pessoa exposta. Segundo o engenheiro agrônomo, especialista em Agricultura Biodinâmica e Agricultura Orgânica Adib Francisco Pereira, seu artigo publicado no jornal Diário da Manhã, é papel de todos fomentarem discussões sobre este assunto com a finalidade de um maior conhecimento da população:  “Temos que divulgar mais os impactos, criar mais pesquisas e uma agenda de debates, cursos, palestras que possam esclarecer de forma clara os efeitos prejudiciais dos venenos e da indústria da doença e mostrar outras formas de produzir alimentos adequados e saudáveis.” afirma Adib Francisco.
Após conhecermos mais sobre os efeitos causados pelos agrotóxicos, seguem abaixo alguns motivos para uma maior conscientização do consumo de alimentos orgânicos:

  1. Proteger as futuras gerações;
  2. Prevenir a erosão do solo;
  3. Proteger a qualidade da água;
  4. Melhorar a saúde dos agricultores;
  5. Aumentar a renda dos pequenos agricultores (agricultura familiar, comércio justo);
  6. Prevenir gastos futuros;
  7. Promover a biodiversidade;
  8. Descobrir sabores naturais;
  9. Ajuda a preservar pequenas propriedades;
  10. Apoiar os pequenos agricultores.



12 de mar. de 2014

FOTÓGRAFO RETRATA "OLHAR TRISTE" DE ANIMAIS QUE VIVEM EM CATIVEIRO

Fonte: G1.globo.com
O fotógrafo Oscar Ciutat, morador de Barcelona, na Espanha, desenvolve um projeto desde 2008 que tem objetivo de captar o olhar de animais que vivem aprisionados em cativeiros.

Segundo ele, sua atenção foi atraída ao observar quer os olhos de animais exibidos em zoológicos e outros locais pareciam tristes.

Desde então, tenta comprovar por meio de sua arte se a expressão humana “os olhos são a janela da alma” pode ser verdade também para os animais.Nas imagens, há olhares de elefante, rinoceronte, zebra, girafa, vaca e outros animais. Veja as fotos abaixo:
Olhar de um hipopótamo, flagrado pelo espanhol Oscar Ciutat (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)Olhar de um hipopótamo, flagrado pelo espanhol Oscar Ciutat (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)
O olhar de uma girafa que vive no zoológico de Barcelona, na Espanha (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)O olhar de uma girafa que vive no zoológico de Barcelona, na Espanha (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)
Olhar de uma zebra pela lente do fotógrafo espanhol Oscar Ciutat (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)Olhar de uma zebra pela lente do fotógrafo espanhol Oscar Ciutat (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)
Olhar de um rinoceronte (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)Olhar de um rinoceronte (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)
Olhar de uma anta captada pelo fotógrafo espanhol (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)Olhar de uma anta captada pelo fotógrafo espanhol (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)
Olhar de um camelo foi flagrado por Oscar Ciutat (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)Olhar de um camelo foi flagrado por Oscar Ciutat (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)
Um clique que mostra o olhar de um bisão (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)Um clique que mostra o olhar de um bisão (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)
Um uapiti, uma espécie de veado encontrado na Ásia (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)Um uapiti, uma espécie de veado encontrado na Ásia (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)
O olhar de uma vaca, que normalmente fica aprisionada em fazendas (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)O olhar de uma vaca, que normalmente fica aprisionada em fazendas (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)
O olhar de um guanaco, um parente próximo da lhama (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)O olhar de um guanaco, um parente próximo da lhama (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)

7 de mar. de 2014

VIDEO DO CAERDES


O CAERDES é um Centro de excelência em estudos e pesquisas nas áreas de Agroecologia.
Fica localizado dentro das dependências da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS), campus III, Juazeiro. 

Entre em contato conosco através do endereço, telefone ou email:

Endereço: 
Av. Edgard Chastinet Guimarães, s/n.
Bairro São Geraldo
CEP: 48.905-680.
Juazeiro - BA

Contato:

(74) 3611-7363
Ramal: 270

Email:

caerdes@uneb.br
direitoverde@hotmail.com

Vídeo: CAERDES


Elaboração: Prof. Dr. Jairton Fraga Araújo; Kallinca Almeida Artuso, Saullo André de Souza Leite Melo.


Cinegrafia: Davis Werson Câmara.


Edição de áudio: Emanuelle Leite, Wal Carvalho.


Edição de imagens: Carlos Santana.

27 de fev. de 2014

BOLSISTAS DO CAERDES FIZERAM VISITA A CODEVASF DE JUAZEIRO






Bolsistas do Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável (Caerdes) do Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) fizeram uma visita a Superintendência Regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em Juazeiro, na última sexta-feira (21).

A visita integra as atividades do projeto Estratégias de Acesso Social à Legislação Agroambiental, como Mecanismo de Proteção aos Bens de Uso Comum, realizado pelo Caerdes e teve o objetivo de obter in locu informações sobre as ações realizadas pela Companhia; as áreas de atuação da empresa no Vale do São Francisco e as ações de controle e conservação de áreas degradadas na região.

Durante o encontro, a chefe da Unidade de Meio Ambiente da Codevasf, Edneuma Gonçalves, apresentou, entre as diversas ações da Empresa, o projeto de revegetação da mata ciliar do rio São Francisco que concilia atividades de educação ambiental. Edneuma disse que a Codevasf já realizou um projeto piloto de recomposição de vegetação nativa em parceria com a UNEB, na comunidade rural de Conchas, que fica próximo ao perímetro de Irrigação Maniçoba, em Juazeiro.

Edneuma acrescentou ainda que o projeto de recuperação de áreas degradadas, a implantar neste ano é uma continuação do trabalho de reflorestamento das margens do rio realizado anteriormente pela Empresa. “Esse projeto envolve a recuperação das áreas de preservação permanente do São Francisco que estão extremamente degradadas. Primeiro vai ser realizada a recomposição topográfica do ambiente e depois será feita a revegetação”, explica a pesquisadora.

Para os alunos da UNEB, bolsistas do projeto, encontros com profissionais que lidam diariamente com assuntos que são debatidos em sala de aula facilitam o aprendizado desses conteúdo. “Participar de reuniões como esta nos dá mais segurança ao compartilhar os conhecimentos por meio do nosso projeto de extensão no Caerdes, porque podemos citar fatos reais que acontecem aqui no Vale do São Francisco”, explica o estudante do curso de Engenharia Agronômica da UNEB e integrante do Projeto, Saullo Melo.

Caerdes- Coordenado pelo professor da Uneb, Dr. Jairton Fraga Araújo, o Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável é um local que desenvolve pesquisas multidisciplinares direcionadas, não só para o curso de Engenharia Agronômica, como também para o curso de Direito.

Esse intercâmbio é firmado por meio do projeto “Estratégias de Acesso Social à Legislação Agroambiental, como Mecanismo de Proteção aos Bens de Uso Comum” e tem como objetivo estimular o acesso a legislação ambiental na região do Vale do São Francisco. Para execução desse projeto, são confeccionados e distribuídos panfletos e cartilhas informativas, além da realização de palestras educativas nas escolas da região onde são abordados temas como Lei de Crimes Ambientais, Lei dos Agrotóxicos e Política Nacional do Meio Ambiente.

A estudante do Curso de Direito da Uneb Kallinca Artuso é integrante do projeto e explica que essas visitas que realizam a órgãos como a Codevasf ajudam na realização das palestras sobre educação ambiental e serve de base para os monitores.

“Entrevistas com profissionais que atuam em empresas como essa são relevantes porque vão nos dá exemplos de como elas trabalham e a sua importância para a região e, dessa forma, podemos compartilhar os conhecimentos adquiridos para as nossas palestras de forma clara e objetiva”, reforça a estudante Kallinca.


Texto e fotos:  Sheila Feitosa
Núcleo de Assessoria de Comunicação/ DTCS
Fonte: blogdodtcs.blogspot.com

24 de fev. de 2014

BRASIL CONSOME 14 AGROTÓXICOS PROIBIDOS NO MUNDO



  National Geographic 
     Foto mostra a diferença entre um solo cultivado organicamente (esquerda) e outro que recebeu a adição de adubos químicos ou agrotóxicos

Os indicadores que apontam o pujante agronegócio como a galinha dos ovos de ouro da economia não incluem um dado relevante para a saúde: o Brasil é maior importador de agrotóxicos do planeta. Consome pelo menos 14 tipos de venenos proibidos no mundo, dos quais quatro, pelos riscos à saúde humana, foram banidos no ano passado, embora pesquisadores suspeitem que ainda estejam em uso na agricultura.

Em 2013 foram consumidos um bilhão de litros de agrotóxicos no País – uma cota per capita de 5 litros por habitante e movimento de cerca de R$ 8 bilhões no ascendente mercado dos venenos.

Dos agrotóxicos banidos, pelo menos um, o Endosulfan, prejudicial aos sistemas reprodutivo e endócrino, aparece em 44% das 62 amostras de leite materno analisadas por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) no município de Lucas do Rio Verde, cidade que vive o paradoxo de ícone do agronegócio e campeã nacional das contaminações por agrotóxicos. Lá se despeja anualmente, em média, 136 litros de venenos por habitante.

Na pesquisa coordenada pelo médico professor da UFMT Wanderlei Pignati, os agrotóxicos aparecem em todas as 62 amostras do leite materno de mães que pariram entre 2007 e 2010, onde se destacam, além do Endosulfan, outros dois venenos ainda não banidos, o Deltametrina, com 37%, e o DDE, versão modificada do potente DDT, com 100% dos casos. Em Lucas do Rio Verde, aparecem ainda pelo menos outros três produtos banidos, o Paraquat, que provocou um surto de intoxicação aguda em crianças e idosos na cidade, em 2007, o Metamidofóis, e o Glifosato, este, presente em 70 das 79 amostras de sangue e urina de professores da área rural junto com outro veneno ainda não proibido, o Piretroides.

Na lista dos proibidos em outros países estão ainda em uso no Brasil estão o Tricolfon, Cihexatina, Abamectina, Acefato, Carbofuran, Forato, Fosmete, Lactofen, Parationa Metílica e Thiram.

Chuva de lixo tóxico
“São lixos tóxicos na União Europeia e nos Estados Unidos. O Brasil lamentavelmente os aceita”, diz a toxicologista Márcia Sarpa de Campos Mello, da Unidade Técnica de Exposição Ocupacional e Ambiental do Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde. Conforme aponta a pesquisa feita em Lucas do Rio Verde, os agrotóxicos cancerígenos aparecem no corpo humano pela ingestão de água, pelo ar, pelo manuseio dos produtos e até pelos alimentos contaminados.
Venenos como o Glifosato são despejados por pulverização aérea ou com o uso de trator, contaminam solo, lençóis freáticos, hortas, áreas urbanas e depois sobem para atmosfera. Com as precipitações pluviométricas, retornam em forma de “chuva de agrotóxico”, fenômeno que ocorre em todas as regiões agrícolas mato-grossenses estudadas. Os efeitos no organismo humano são confirmados por pesquisas também em outros municípios e regiões do país.

O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo a pesquisadora do Inca, mostrou níveis fortes de contaminação em produtos como o arroz, alface, mamão, pepino, uva e pimentão, este, o vilão, em 90% das amostras coletadas. Mas estão também em praticamente toda a cadeia alimentar, como soja, leite e carne, que ainda não foram incluídas nas análises.

O professor Pignati diz que os resultados preliminares apontam que pelo menos 30% dos 20 alimentos até agora analisados não poderiam sequer estar na mesa do brasileiro. Experiências de laboratórios feitas em animais demonstram que os agrotóxicos proibidos na União Europeia e Estados Unidos são associados ao câncer e a outras doenças de fundo neurológico, hepático, respiratórios, renais e má formação genética.

Câncer em alta
A pesquisadora do Inca lembra que os agrotóxicos podem não ser o vilão, mas fazem parte do conjunto de fatores que implicam no aumento de câncer no Brasil cuja estimativa, que era de 518 mil novos casos no período 2012/2013, foi elevada para 576 mil casos em 2014 e 2015. Entre os tipos de câncer, os mais suscetíveis aos efeitos de agrotóxicos no sistema hormonal são os de mama e de próstata. No mesmo período, segundo Márcia, o Inca avaliou que o câncer de mama aumentou de 52.680 casos para 57.129.
Na mesma pesquisa sobre o leite materno, a equipe de Pignati chegou a um dado alarmante, discrepante de qualquer padrão: num espaço de dez anos, os casos de câncer por 10 mil habitantes, em Lucas do Rio Verde, saltaram de três para 40. Os problemas de malformação por mil nascidos saltaram de cinco para 20. Os dados, naturalmente, reforçam as suspeitas sobre o papel dos agrotóxicos.

Pingati afirma que os grandes produtores desdenham da proibição dos venenos aqui usados largamente, com uma irresponsável ironia: “Eles dizem que não exportam seus produtos para a União Europeia ou Estados Unidos, e sim para mercados africanos e asiáticos.”
Apesar dos resultados alarmantes das pesquisas em Lucas do Rio Verde, o governo mato-grossense deu um passo atrás na prevenção, flexibilizando por decreto, no ano passado, a legislação que limitava a pulverização por trator a 300 metros de rios, nascentes, córregos e residências. “O novo decreto é um retrocesso. O limite agora é de 90 metros”, lamenta o professor.

“Não há um único brasileiro que não esteja consumindo agrotóxico. Viramos mercado de escoamento do veneno recusado pelo resto do mundo”, diz o médico Guilherme Franco Netto, assessor de saúde ambiental da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). Na sexta-feira, diante da probabilidade de agravamento do cenário com o afrouxamento legal, a Fiocruz emitiu um documento chamado de “carta aberta”, em que convoca outras instituições de pesquisa e os movimentos sociais do campo ligados à agricultura familiar para uma ofensiva contra o poder (econômico e político) do agronegócio e seu forte lobby em toda a estrutura do governo federal.

Reação da Ciência
A primeira trincheira dessa batalha mira justamente o Palácio do Planalto e um decreto assinado, no final do ano passado, pela presidente Dilma Rousseff. Regulamentado por portaria, a medida é inspirada numa lei específica e dá exclusividade ao Ministério da Agricultura _ histórico reduto da influente bancada ruralista no Congresso _ para declarar estado de emergência fitossanitária ou zoossanitária diante do surgimento de doenças ou pragas que possam afetar a agropecuária e sua economia.

Essa decisão, até então era tripartite, com a participação do Ministério da Saúde, através da Anvisa, e do Ministério do Meio Ambiente, pelo Ibama. O decreto foi publicado em 28 de outubro. Três dias depois, o Ministério da Agricultura editou portaria declarando estado de emergência diante do surgimento de uma lagarta nas plantações, a Helicoverpa armigera, permitindo, então, para o combate, a importação de Benzoato de Emamectina, agrotóxico que a multinacional Syngenta havia tentado, sem sucesso, registrar em 2007, mas que foi proibido pela Anvisa por conter substâncias tóxicas ao sistema neurológico.
Na carta, assinada por todo o conselho deliberativo, a Fiocruz denuncia “a tendência de supressão da função reguladora do Estado”, a pressão dos conglomerados que produzem os agroquímicos, alerta para os inequívocos “riscos, perigos e danos provocados à saúde pelas exposições agudas e crônicas aos agrotóxicos” e diz que com prerrogativa exclusiva à 
Agricultura, a população está desprotegida.

A entidade denunciou também os constantes ataques diretos dos representantes do agronegócio às instituições e seus pesquisadores, mas afirma que com continuará zelando pela prevenção e proteção da saúde da população. A entidade pede a “revogação imediata” da lei e do decreto presidencial e, depois de colocar-se à disposição do governo para discutir um marco regulatório para os agrotóxicos, fez um alerta dramático:
“A Fiocruz convoca a sociedade brasileira a tomar conhecimento sobre essas inaceitáveis mudanças na lei dos agrotóxicos e suas repercussões para a saúde e a vida.”
Para colocar um contraponto às alegações da bancada ruralista no Congresso, que foca seu lobby sob o argumento de que não há nexo comprovado de contaminação humana pelo uso de veneno nos alimentos e no ambiente, a Fiocruz anunciou, em entrevista ao iG, a criação de um grupo de trabalho que, ao longo dos próximos dois anos e meio, deverá desenvolver a mais profunda pesquisa já realizada no país sobre os efeitos dos agrotóxicos – e de suas inseparáveis parceiras, as sementes transgênicas – na saúde pública.

O cenário que se desenha no coração do poder, em Brasília, deve ampliar o abismo entre os ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Planejamento, de um lado, e da Saúde, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, de outro. Reflexo da heterogênea coalizão de governo, esta será também uma guerra ideológica em torno do modelo agropecuário. “Não se trata de esquerdismo desvairado e nem de implicância com o agronegócio. Defendemos sua importância para o país, mas não podemos apenas assistir à expansão aguda do consumo de agrotóxicos e seus riscos com a exponencial curva ascendente nos últimos seis anos”, diz Guilherme Franco Netto. A queda de braços é, na verdade, para reduzir danos do modelo agrícola de exportação e aumentar o plantio sem agrotóxicos.

Caso de Polícia
“A ciência coloca os parâmetros que já foram seguidos em outros países. O problema é que a regulação dos agrotóxicos está subordinada a um conjunto de interesses políticos e econômicos. A saúde e o ambiente perderam suas prerrogativas”, afirma o pesquisador Luiz Cláudio Meirelles, da Fiocruz. Até novembro de 2012, durante 11 anos, ele foi o organizador gerente de toxicologia da Anvisa, setor responsável por analisar e validar os agrotóxicos que podem ser usados no mercado.

Meirelles foi exonerado uma semana depois de denunciar complexas falcatruas, com fraude, falsificação e suspeitas de corrupção em processos para liberação de seis agrotóxicos. Num deles, um funcionário do mesmo setor, afastado por ele no mesmo instante em que o caso foi comunicado ao Ministério Público Federal, chegou a falsificar sua assinatura.
“Meirelles tinha a função de banir os agrotóxicos nocivos à saúde e acabou sendo banido do setor de toxicologia”, diz sua colega do Inca, Márcia Sarpa de Campos Mello. A denúncia resultou em dois inquéritos, um na Polícia Federal, que apura suposto favorecimento a empresas e suspeitas de corrupção, e outro cível, no MPF. Nesse, uma das linhas a serem esclarecidas são as razões que levaram o órgão a afastar Meirelles.

As investigações estão longe de terminar, mas forçaram já a Anvisa – pressionada pelas suspeitas –, a executar a maior devassa já feita em seu setor de toxicologia, passando um pente fino em 796 processos de liberação avaliados desde 2008. A PF e o MPF, por sua vez, estão debruçados no órgão regulador que funciona como o coração do agronegócio e do mercado de venenos.


por iG São Paulo