28 de nov. de 2014

A DESERTIFICAÇÃO E OS REFUGIADOS AMBIENTAIS


Fonte: Vivaterra

Mais de 1,2 bilhão de pessoas vivem em regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas, responsáveis por 22% da produção de alimentos do mundo. Só no Brasil, de acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, 32 milhões de pessoas habitam áreas que podem se tornar desérticas, áreas que ocupam mais de 1,3 milhão de quilômetros quadrados, ou seja, 15,7% do território nacional. Não se revertendo o processo de desertificação, essas pessoas não conseguirão permanecer nas áreas em que habitam hoje. Os panoramas que estão sendo delineados, mantidas as atuais tendências, são todos muito preocupantes. São urgentes medidas para a estabilização do avanço da desertificação, impedindo que novas áreas sejam degradadas, e a adoção de práticas agrícolas mais desenvolvidas devem ser adotadas no combate e prevenção da deterioração do solo. É vital que se recomponha a malha hídrica, que se protejam as nascentes, que se faça um trabalho muito grande de capacitação da agricultura, das práticas apropriadas que tenham relação mais simbiótica com o clima e que se desenvolvam estratégias apropriadas para o clima, que está cada vez mais árido.



A cada ano a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que uma superfície equivalente a Bélgica e a três Sergipes perde sua capacidade vital. A cada minuto, 12 hectares de terra viram deserto no mundo. A desertificação está claramente ligada à sobrevivência humana, por causar a fome que mata e ameaça a vida de milhares de pessoas em lugares onde a terra racha e nada cresce.

A desertificação tem desencadeado importantes fluxos migratórios do campo para as cidades. O processo de recuperação de uma área desertificada é complexo, pois necessita de ações capazes de controlar, prevenir e recuperar as áreas degradadas. Paralelamente a estas ações, cabe uma maior conscientização política, econômica e social no sentido de minimizar e/ou combater a erosão, a salinização, o assoreamento entre outros. A ONU calcula que sejam necessários de US$ 10 bilhões a 22,4 bilhões por ano para conter a desertificação em 20 anos.

Ainda segundo a ONU, há mais de 10 milhões de refugiados ambientais, ou seja, pessoas que foram obrigadas a migrar para outros países devido à seca e à perda da fertilidade do solo. A África é o continente mais afetado, notadamente na região subsaariana, mas o problema é também particularmente grave na América Latina. No Brasil, grandes áreas estão se transformando em desertos, principalmente no Nordeste e no Rio Grande do Sul. Especialistas que estudaram o assunto chegaram a conclusões pessimistas. Serão necessários 40 bilhões de dólares por ano para aplicar em obras que possam conter a desertificação em todo o mundo. O dobro da previsão da ONU

Cerca de 100 países são afetados pela perda acelerada da fertilidade dos solos. A América do Norte, com 74% de terras áridas ou semi-áridas, e a África, com 73%, são as regiões onde a situação é mais preocupante. Mas, a médio prazo, processos de desertificação ameaçam áreas onde isso pareceria impensável há algumas décadas. A intensidade das secas registradas recentemente na Espanha e no Sul da Itália causa temores. Na Ásia, com sua alta densidade populacional, se calcula em quase 1,5 milhão o número de hectares em que já não se pode cultivar, devido à desertificação.

O fenômeno climático El Niño, que, inicialmente, causa fortes inundações e em seguida grandes períodos de seca, agrava o problema, cuja seriedade a ONU compara com a ameaça do aquecimento global. De acordo com alguns especialistas, porém, a relação entre desertificação e mudanças climáticas pode ser ainda mais complexa. Alguns acreditam que a desertificação está alterando o clima, muito mais do que sendo afetada por ele. 

Estima-se que até 2020 cerca de 135 milhões de pessoas correrão risco de serem obrigadas a abandonar suas terras devido à contínua desertificação, e destas, 60 milhões serão da África Subsaariana. 

Já na Ásia, com 1,7 bilhão de hectares de terra árida, semi-árida e semi-úmida, as regiões prejudicadas incluem desertos crescentes na China, Índia, Irã, Mongólia e Paquistão; as dunas de areia da Síria; as montanhas erodidas do Nepal; e o desmatamento e pecuária extensiva das regiões montanhosas do Laos. 

Quanto ao número de pessoas afetadas pela desertificação e pela seca, a Ásia é o continente mais prejudicado, de acordo com a ONU. Na América Latina, apesar das florestas tropicais úmidas da região, a perda de terras de cultivo e de vegetação afeta 313 milhões de hectares na região e no Caribe (250 milhões na América do Sul e 63 milhões na América Central e no México). 

Já na Europa, o chamado grupo do Mediterrâneo Norte, formado por Espanha, Portugal, Itália, Turquia e Grécia, é uma das quatro regiões que, segundo a convenção das Nações Unidas, é afetada pela desertificação. 

Um dos países nos quais é possível constatar uma maior desertificação é o Sudão, onde o problema afeta 13 das 15 províncias, o que representa uma superfície total de 414 mil quilômetros quadrados, segundo o Governo sudanês. O Governo do Sudão atribui o avanço do deserto e o retrocesso da qualidade da terra mais à exploração dos recursos do solo do que à mudança climática. A desertificação também preocupa a China, onde avança a um ritmo de 1.283 quilômetros quadrados ao ano, e já afeta 400 milhões de pessoas diretamente, de acordo com a Administração Estatal Florestal. 

Cerca de 18% do território chinês já é uma área desértica, principalmente a faixa norte e oeste, embora outros 14% sofram as consequências da desertificação, que se estende praticamente por todo o país, segundo o departamento oficial. A pressão da enorme população, o desenfreado desenvolvimento econômico e a poluição deixaram inclusive em uma situação "extremamente frágil" as regiões desérticas reflorestadas, de acordo com as autoridades.


24 de nov. de 2014

TERCEIRO DIA DO CURSO DE AGROECOLOGIA E AGRICULTURA ORGÂNICA ABORDA TEMAS COMO GENÓTIPO E CLIMA



O II Curso de Extensão em Agroecologia e Agricultura Orgânica promovido pelo CAERDES teve o seu terceiro dia neste sábado (22). Com o intuito de conscientizar a respeito das possibilidades ligadas à produção sustentável de alimentos, o CAERDES recebeu cerca de 40 estudantes de Engenharia Agronômica. Os alunos assistiram às aulas pela manhã e pela tarde e puderam aprender um pouco mais sobre o papel do genótipo – conjunto das informações genéticas – no contexto do clima e do ambiente em que ele se localiza. Além disso, eles tiveram contato com a importância de se escolher adequadamente as raças e variedades que serão produzidas em função das características do clima.

O Prof. Dr. Jairton Fraga Araújo, ministrante do curso, destaca a importância desses conteúdos para quem está no início do curso de Agronomia. “Quando os alunos chegarem às disciplinas mais profissionalizantes, eles já estarão com um grau de compreensão”, declara. No entanto, ele frisa que a visão desses alunos será sob o olhar da agroecologia, enquanto que no curso de Engenharia Agronômica, será a visão da agricultura convencional.

Jeann Thallys, estudante do 1º período de Engenharia Agronômica, declara que os conteúdos do terceiro dia de curso são promissores. “O curso de hoje está me adiantando muitas coisas. Estou fazendo anotações para que, futuramente, eu possa pesquisar e enriquecer mais meus conhecimentos”, diz. Jeann fala também que, após o curso, espera ter adquirido uma bagagem teórica que possa ser usada em seu futuro profissional.

O curso também traz boas expectativas para quem faz parte da comissão organizadora. Carlos Diogo Medeiros, estudante do 8º período de Engenharia Agronômica da UNEB e bolsista de pesquisa do CAERDES, expõe sua satisfação com a repercussão curso. “É muito gratificante ver os alunos chegarem até nós para dizer que estão gostando dos conteúdos e elogiando as aulas. Para nós é muito satisfatório fazer parte dessa construção”, afirma.

Texto e foto: Mirielle Cajuhy
Estagiária em Assessoria de Comunicação




20 de nov. de 2014

PARA PRESERVAR A ÁGUA, MPF QUER PROIBIR NOVAS OBRAS EM RIOS DA AMAZÔNIA

Fonte: Ciclo Vivo

Procuradores da República de seis estados pedem que a Justiça Federal proíba a Agência Nacional de Águas (ANA) de autorizar novos empreendimentos em importantes rios da Amazônia brasileira sem que, antes, sejam criados os chamados comitês de bacia hidrográfica. São colegiados com a participação da sociedade civil que, entre outras coisas, definem os mecanismos de uso compartilhado da água e o plano de recursos hídricos de cada bacia.

Os procuradores ingressaram na última terça-feira (19), com ações em tribunais federais do Amapá, Pará, Amazonas, em Mato Grosso, Rondônia e Roraima. Eles pedem que a agência seja proibida de emitir a Declaração de Reserva de Disponibilidade Hídrica para quaisquer empreendimentos que estejam em fase de licenciamento nas bacias dos rios Tapajós, Teles Pires, Madeira, Ji-Paraná, Negro, Solimões, Oiapoque, Jari, Araguaia, Tocantins e Trombetas, antes que os comitês de bacia sejam criados, e seus membros nomeados e empossados. No total, foram ajuizadas nove ações.
“Rigorosamente, a ação inviabiliza qualquer empreendimento futuro [nos rios da região amazônica], pois, para fazer qualquer coisa é preciso a outorga da ANA. O propósito é assegurarmos que tenhamos água suficiente e de qualidade para a população”, explicou a subprocuradora-geral da República, Débora Duprat, que coordena a 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF – órgão setorial do MPF, responsável por tratar dos temas relacionados às comunidades tradicionais, como índios, quilombolas, ribeirinhos e ciganos.

A subprocuradora garantiu que, se aceitos pela Justiça, os pedidos dos procuradores não afetarão os empreendimentos em curso. Não está descartada, no entanto, a hipótese de ajuizamento de outras ações, inclusive em outras regiões do país. Segundo Débora, a iniciativa foi motivada pela preocupação do MPF com os rios amazônicos, com a disponibilidade de água e com a má gestão dos recursos hídricos.

“Estamos vivendo uma crise hídrica sem precedentes [em outras regiões] devido à má gestão desses recursos. Para nossa surpresa, ao começarmos a trabalhar com os rios amazônicos, descobrimos que a bacia amazônica não tem comitês. Ou seja, não tem um plano de uso e de gestão da água”, acrescentou a subprocuradora, revelando que os próprios procuradores da 6ª Câmara decidiram ingressar com as ações considerando que a Constituição Federal prevê a existência de um sistema nacional de gestão de recursos hídricos e que uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente estabelece que qualquer empreendimento leve em consideração os impactos para a bacia hidrográfica.

“Não é possível acumularmos empreendimentos sem sabermos a capacidade das bacias hidrográficas de suportar isso sem comprometer a existência d'água para seu principal fim, que é o uso humano”. De acordo com Débora, os procuradores da 6ª Câmara constataram que as bacias da região amazônica não dispõem de comitês hidrográficos enquanto analisavam os impactos da construção de usinas hidrelétricas nos rios Teles Pires e Tapajós.

Procuradora da República em Santarém, Fabiana Schneider destacou a importância dos comitês e do planejamento no uso da água. “Com tantos empreendimentos sendo planejados para a região, se não houver um planejamento mínimo, holístico, [outras exigências administrativas] quase não surtirão resultados concretos. O licenciamento ambiental, por exemplo, costuma ser concentrado em uma área e em um empreendimento, enquanto o comitê leva em conta a bacia hidrográfica”.
Procurada pela Agência Brasil, a Agência Nacional de Águas informou que não foi  notificada sobre as ações e que só irá se pronunciar após analisar juridicamente as petições.

10 de nov. de 2014

MUDANÇA DO CLIMA AUMENTA RISCO DE CONFLITOS

Texto: José Eduardo Mendonça
Foto: UK Department for International Development / Creative Commons / Flickr

Uma combinação de mudança do clima e insegurança alimentar, que pode ser exacerbada por alterações nos padrões do tempo, está amplificando os riscos de conflito e protestos em 32 países, de acordo com o Atlas de Risco da Mudança do Clima e Ambiente, publicado pela empresa de análise global de risco Maplecroft.
O novo relatório avaliou 198 nações por diversos parâmetros, incluindo vulnerabilidade, emissões de gases de efeito estufa, regulações e serviços do ecossistema.
Economias emergentes, como as de Bangladesh, Índia e Filipinas, e muitas das africanas, estão entre aquelas qualificadas como mais suscetíveis a problemas. O ranking levou em consideração o perigo para estes países e o quanto a capacidade de seus governos de promover medidas de adaptação pode significar nas próximas três décadas.
Uma das principais características dos países em “risco extremo” é sua forte dependência do setor agrícola, que emprega quase dois terços de suas populações e responde por 28% da receita média. A Maplecroft nota que mudanças nos padrões do tempo já produzem impactos sobre a produção de alimentos, pobreza e estabilidade social.
O relatório aponta Nigéria, Etiópia, Filipinas e Haiti, além de países africanos como Sudão do Sul, Chade, República Centr0-Africana e Eritréia como os 10 no topo da lista. Neles, altos níveis de pobreza, deslocamentos de populações e conflitos deverão aumentar, junto com secas e enchentes, que piorariam a situação.
A empresa afirma que o gasto com iniciativas de resiliência, tais como colheitas resistentes à seca, mais infraestrutura e redução da pobreza podem ajudar na adaptação. Mas alerta que programas para isto exigem vontade política e dinheiro, que pode ser escasso se os países mais ricos não contribuírem com o fundo de U$ 100 bilhões, prometidos por eles até 2020, para ajudar nações em desenvolvimento a combater a mudança do clima, diz o Business Green.

4 de nov. de 2014

SUPERMERCADO USA O PRÓPRIO LIXO PARA FAZER COMPOSTAGEM



Projeto transforma 3 toneladas de lixo orgânico em adubo. Compostagem é feita em parceria com a empresa Videverde (Venativ), em Magé, no Rio. Foto: Divulgação

Rio de Janeiro – As redes de supermercados são as responsáveis por gerar a maior quantidade de lixo orgânico. Boa parte deste material é descartado nos aterros sanitários sem passar por qualquer processo de separação ou reciclagem. Na contramão, a Zona Sul, uma das grandes redes no Rio de Janeiro, decidiu investir em um programa para transformar o lixo gerado em suas lojas em adubo orgânico.

O lixo orgânico é aquele resíduo de origem vegetal ou animal, como restos de alimentos (carnes, vegetais, frutos, cascas de ovos). Em seu processo de decomposição, esse lixo produz o chorume, um líquido viscoso que pode provocar contaminação de ambientes naturais como solo e águas.

Se não aproveitado de forma correta, o resíduo orgânico perde seu grande potencial que é o de gerar energia e ainda transformar-se em um importante produto para adubar a terra. É através da compostagem que é possível aplicar um conjunto de técnicas para transformar o que, a princípio, não teria mais valor em um produto útil.

A compostagem é um processo de transformação de matéria orgânica em adubo com a ação de bactérias em alta temperatura. Este processo é também conhecido como uma forma de se reciclar o indesejável e mal cheiroso lixo orgânico.

Descarregando os resíduos orgânicos que se transformarão em adubo através da compostagem. Foto: divulgação Zona Sul

Há cinco anos, a Zona Sul resolveu separar as 5 toneladas de lixo orgânico geradas nas 33 lojas e mandar para a compostagem. Após a triagem do lixo, restam 3 toneladas que se tornam matéria-prima para transformar-se em adubo, que pode ser usado na agricultura, jardins e plantas.

"O que geramos de resíduos orgânicos em toda a nossa rede é praticamente uma cidade, pois temos cinco mil funcionários. A gente começou a pensar na ideia da compostagem", contou a ((o))eco Fortunato Leta, diretor-presidente da rede Zona Sul. "O desafio era retribuir para a sociedade e diminuir a carga de resíduos que a gente leva para os aterros", disse em uma conversa durante o seminário "Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – Como transformar lixo em dinheiro".

A ideia começou a tomar corpo em 2009 e hoje, já são produzidos 30 toneladas de adubo orgânico através de empresas parceiras. Apenas a rede em si mobiliza 150 funcionários para trabalhar no processo de seleção do lixo enviado para a compostagem. Uma parte é feita com uma empresa parceira no município de Magé, a 60 km da capital fluminense, e outra parte segue para a Comlurb, que compra o lixo para fazer composto orgânico e utilizar em praças e encostas.
Compostagem ainda é cara

Leta diz que esta iniciativa de reciclagem de lixo orgânico é pioneira no setor de redes de supermercados no estado do Rio, mas ainda não se paga. "Arrisco a dizer que somos os únicos na indústria de supermercado que fazemos esse projeto no Rio, ou seja, aproveitar o lixo e não levá-lo para o aterro". No entanto, ele garante que sai "muito mais barato" jogar o lixo no aterro sanitário. "Ainda não consegui fechar os custos. Meu discurso está antenado com a ação, mesmo não valendo a pena economicamente", disse. O adubo orgânico derivado do lixo reciclado volta às prateleiras das lojas do Zona Sul em embalagens de 2 quilos.

Para Leta, o desafio agora é participar de todo o ciclo que envolve desde a geração de lixo, reciclagem, adubação e produção de cultivos orgânicos. Em um projeto ainda piloto, a rede alugou um pequeno terreno onde planta pimenta em 4 mil metros quadrados de área. A primeira safra da pimenta foi colhida recentemente de um solo também certificado como orgânico.

"Conseguimos uma parceria de um produtor orgânico em Magé próximo à empresa que faz a compostagem e lá estamos produzindo pimenta. É a nossa primeira experiência. Queremos participar do ciclo completo. Se der certo, vamos expandir", disse Leta.

3 de nov. de 2014

CASCA DE FRUTA, RESTO DE VERDURAS E LEGUMES, IOGURTE… TUDO ISSO PODE VIRAR ADUBO

Fonte: Escola de Jardinagem do Parque do Ibirapuera - São Paulo/SP

O nome desse processo é compostagem. Quando você transforma seu lixo em adubo, pode oferecer ao solo um material rico em nutrientes (no caso de uma horta ou mesmo para as plantas do seu jardim) e, principalmente, ajuda a reduzir a quantidade de lixo que vai diariamente para os aterros e lixões do Brasil. Aprenda a fazer a compostagem doméstica e mãos à obra!

Foto: Divulgação


PASSO 1 – O recipiente

Você deve ter um recipiente para colocar o material orgânico. Pode ser um pote de sorvete, uma lata de tinta ou um balde. Vale usar a criatividade com o que estiver ao seu alcance. Se der para reaproveitar algum recipiente, melhor ainda. É importante furar o fundo. Você pode fazer isso manualmente, variando o tamanho dos buracos. É por eles que o chorume (líquido eliminado pelo material orgânico em decomposição) vai passar.
Um detalhe importante é que o chorume pode ser reaproveitado, pois, neste caso, é um fertilizante de alto potencial (já que é originado apenas de matéria orgânica). Você pode recolhê-lo e devolver à mistura da sua compostagem ou ainda jogar em plantas, diluído (anote a proporção: 1 copo de chorume para 9 copos de água).

PASSO 2 – A composteira

Embaixo do recipiente no qual você vai colocar o material orgânico, deve haver outro que vai “recolher” o chorume. Pode ser uma bacia mais rasa, por exemplo. Ela não pode ficar em contato direto com a lata ou o pote, pois o chorume deve ter um espaço para escorrer. Use um calço – como pedaços de tijolo – para colocar em baixo da lata e deixá-la um pouco mais “alta” em relação à bacia. (A compostagem até pode ser feita em contato direto com o solo, mas neste caso o terreno deve ter boa drenagem e ser inclinado, para que o chorume não acumule em um local só).
PASSO 3 – Hora de colocar o lixo
Fazer compostagem em casa não é só jogar o lixo orgânico de qualquer jeito e deixar que a natureza faça “o resto sozinha”. Existe um método para viabilizar, facilitar e acelerar a decomposição do material orgânico. O segredo é sobrepor os tipos de resíduos orgânicos, ou seja, o processo é feito em camadas.

O que regula a ação dos microorganismos que vão decompor o material é a proporção de nitrogênio e carbono. Essa relação deve ser de três para um. Ou seja, uma camada de nitrogênio para três camadas de carbono. O que é nitrogênio? É o material úmido (o lixo, em si). O que é o carbono? É matéria seca, como papelão, cascalho de árvore, serragem, folhas secas, aparas de grama e palha de milho. (Se a relação for diferente desta, não significa que não ocorrerá o processo de compostagem, apenas que vai levar mais tempo).

E… pique, pique, pique! Quanto menor estiver o material que você colocar (tanto o seco quanto o úmido), melhor. Comece com uma camada de material seco, depois coloque o material úmido. Depois coloque outra camada de material seco, umedeça-o um pouco e continue o processo. É importante que a última camada (a que vai ficar exposta) seja sempre seca, para evitar mau cheiro. Uma opção é colocar cal virgem por cima. Outro detalhe essencial é: não tampe a composteira. O material orgânico não pode ficar abafado.  Ah, procure sempre manusear a sua composteira com luvas.

O que você pode usar:

- Resto de leite;
- Filtro de café usado;
- Borra de café;
- Cascas de frutas;
- Sobras de verduras e legumes;
- Iogurte;

O que você não pode usar:

- Restos de comida temperada com sal, óleo, azeite… qualquer tipo de tempero;
- Frutas cítricas em excesso, por causa da acidez;
- Esterco de animais domésticos, como gato e cachorro;
- Madeiras envernizadas, vidro, metal, óleo, tinta, plásticos, papel plastificado;
- Cinzas de cigarro e carvão;
- Gorduras animais (como restos de carnes);
- Papel de revista e impressos coloridos, por causa da tinta.

PASSO 4 – Espere, mas cuide

Depois que você montou toda a estrutura, é hora de dar tempo ao tempo. A primeira fase é de decomposição, quando a temperatura interna do material que está na composteira pode chegar a 70°C. Isso dura cerca de 15 dias, no caso da compostagem doméstica. Nesse período, o ideal é não mexer. Depois, revolver o material é super importante para fornecer oxigênio ao processo. Essas “mexidas” podem ser feitas de diversas formas: com um “garfo de jardim” ou trocando o material de lugar –  para uma outra lata, por exemplo.

Nesse ponto, você pode se perguntar: mas eu gero lixo orgânico todo dia. Posso jogá-lo na composteira diariamente? Melhor não. Você tem algumas alternativas. O ideal é acrescentar matéria orgânica cada vez que for “mexer” na sua composteira, ou seja, a cada 15 dias, mais ou menos. Nesse intervalo, guarde as suas cascas de frutas, verduras e o resto que for reaproveitável em um potinho na geladeira.

Foto: Divulgação

O tempo para ter o adubo final varia em função da quantidade de lixo usado e pela forma como a compostagem é feita. É possível chegar ao final do processo em 2 ou 3 meses. O indicativo de que o húmus (adubo) está pronto é quando a temperatura do composto se estabiliza com a temperatura ambiente. Para saber, use os sentidos: a cor é escura, o cheiro é de terra. E , quando o esfregamos nas mãos, elas não ficam sujas.

29 de out. de 2014

TORRE FEITA DE BAMBU TRANSFORMA UMIDADE DO AR EM ÁGUA POTÁVEL

Fonte: Hypeness

Você já sabe que a água é cerca de 70% do corpo humano. E que a população mundial cresce ano após ano, aumentando a demanda por recursos naturais. E que os efeitos do aquecimento global vêm sendo percebidos em vários locais do planeta. Isso sem contar regiões onde a água sempre foi um bem escasso.

                                               
Dada essa equação, criar novas fontes de água doce é uma questão que está na ordem do dia. E o WarkaWater é prova viva daquele famoso provérbio que diz que “a necessidade é a mãe da invenção”. Criado pelo arquiteto italiano Arturo Vittori, o WarkaWater é uma torre que capta o vapor da atmosfera e o transforma em água potável. Mas se engana quem está imaginando altas cifras e tecnologia de ponta.

A torre é construída sobre uma base feita em bambu ou talos de junco. Na parte interna, é forrada por uma malha plástica. Fibras de nylon e polipropileno captam gotículas de orvalho e, ao escorrer, a água fica armazenada em uma bacia na parte inferior da torre. Completando o conjunto, uma coroa de pequenos espelhos ajuda a manter as aves distantes para evitar contaminações.



A estrutura mede cerca de 9 metros, pesa em torno de 90 quilos e é toda modular, não sendo necessários andaimes ou equipamentos elétricos para colocá-la de pé. A estimativa é de que consiga coletar até 100 litros de água por dia. 

Em 2015, um protótipo do WarkaWater será levado à Etiópia. Se por um lado a escala ainda é reduzida, o projeto serve de piloto para mais iniciativas inovadoras e sustentáveis assim.

Conheça uma iniciativa semelhante criada por um engenheiro brasileiro.

27 de out. de 2014

CONHEÇA CINCO TECNOLOGIAS PARA ENFRENTAR A ESCASSEZ DE ÁGUA NO MUNDO

Fonte: ZH Planeta Ciência / Texto: Luísa Martins
Dizem que o Brasil é um país privilegiado: detém 13% do recurso natural mais precioso da Terra, a água doce. Ironicamente, sua a maior cidade (também a maior da América do Sul), São Paulo, está tendo que pedir ajuda do amigo São Pedro para não morrer de sede até o fim do ano. Se a chuva não vier de presente, aumentando o quase zerado nível do Sistema Cantareira, o racionamento – já recomendado pelo Ministério Público Federal e pela Agência Nacional das Águas – vai ser a única alternativa para garantir o abastecimento a mais de 8 milhões de pessoas na capital paulista e em outras 10 cidades da região metropolitana.
O país tem água de monte. O que não é equilibrado é a distribuição: onde há menos gente, há mais oferta – Amazônia, por exemplo. Enquanto isso, grandes centros urbanos, como São Paulo, dispõem de menos recursos hídricos para deixar rolar o líquido de torneiras, duchas e mangueiras.
"Menos" não significaria escassez caso as águas do Brasil não sofressem de um mal secular: a poluição. Fosse diferente, não seria preciso rezar pela chuva nem cogitar – mediante tecnologias caras – tornar potável a água salgada, que corresponde a 97% do líquido disponível na Terra.
– O Rio Tietê, por exemplo: está podre. Aquela água toda serviria para São Paulo, mas não pode ser utilizada – lamenta o coordenador do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS), André Silveira.
Os efeitos da poluição comprometem o título que a América do Sul carrega de continente mais rico do planeta em recursos hídricos, segundo a ONU e o Banco Mundial. Em uma perspectiva econômica, custa menos puxar água limpa de longe do que investir no tratamento da água de um rio sujo como o Tietê, afirma o professor Silveira. E a situação está longe de ser exclusiva do mais importante rio paulista. No Rio Grande do Sul, as bacias dos rios dos Sinos e Gravataí, além do próprio Arroio Dilúvio, estão andando pelo mesmo caminho.
A ciência tem trabalhado para curar as doenças dos rios (veja algumas propostas no infográfico abaixo), na contramão da ação do homem, que insiste em não preservar seus mananciais, possivelmente por conta da abundância. Afinal, se tem de sobra, por que cuidar?
– Uma água já preservada na origem torna-se potável muito mais facilmente e de forma mais barata – justifica Silveira, que vê descompasso entre investimento em saneamento e crescimento populacional no país: água até sobra, mas o planejamento falha.
– O problema do Brasil, no fim das contas, é de gestão – resume.
O diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente Andreu, afirma que, embora 97% da população urbana do país tenha acesso à rede de abastecimento, há irregularidade no fornecimento e má qualidade da água. Exemplo: no máximo 20% do esgoto coletado recebe tratamento – o resto é lançado nos corpos d'água. Até 2025, metade dos municípios brasileiros pode ter prejuízos nos seus mananciais, reservatórios, rios e águas subterrâneas.
– A água não tem a relevância que merece, seja na tomada de decisões, seja em questões pequenas, como os hábitos pessoais – opina Silveira.
Infográfico: Paula Castro / Especial


A agenda de cada um

Frente a um cenário preocupante, são necessários alguns passos para garantir o abastecimento de água no futuro. O mais fundamental deles é ampliar a prática do reúso de água.
– Os desperdícios são enormes em todos os segmentos: nas grandes empresas, na agricultura e nas residências – enumera o engenheiro agrônomo, ex-secretário de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras do Estado de São Paulo e coordenador de Articulação e Comunicação da Agência Nacional das Águas, Antônio Félix Domingues.
Articular a engenharia hídrica com a arquitetura pode ser uma boa saída para o reaproveitamento. Um exemplo é a instalação de calhas para coleta de chuva – uma água que, embora não sirva para beber, tomar banho ou cozinhar, pode ser usada para regar a horta, limpar pisos e lavar carros.
– Usar água tratada para essas atividades é o símbolo do mau uso – diz a professora Adriene Pereira, da Faculdade de Engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), especialista em recursos hídricos.
Ela defende que, assim como a Eco-92 estabeleceu uma agenda mundial – a Agenda 21 – para proteção da qualidade dos recursos de água doce em escala global, é preciso que cada um pense em sua própria realidade e estabeleça uma agenda pessoal de consumo consciente. A começar pelas dicas básicas: desligar o chuveiro enquanto se ensaboa e escovar os dentes com a torneira desligada.
Além disso, atenção (de novo) ao descarte de resíduos contaminantes nas águas.
– A água é o receptor universal dos poluentes. É para onde toda a gororoba vai. Isso pode começar a ser revertido se as pessoas passarem a, além de evitar o desperdício, dar destino certo ao seu próprio lixo – explica Adriene. 

23 de out. de 2014

BOLSISTA DO CAERDES RECEBE PRÊMIO NA XVIII JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UNEB


De 14 a 16 de outubro aconteceu no campus I em Salvador, a XVIII Jornada de Inicação Científica da Universidade do Estado da Bahia. Com o tema "Um olhar para o futuro", a Jornada recebeu estudantes de todos os campi da Uneb, visando a troca de conhecimento a respeito das produções científicas realizadas dentro da Universidade. Do DTCS campus III, Juazeiro (Bahia) foram apresentados 40 trabalhos na área de Ciências Agrárias. Entre os três primeiros colocados, está um dos experimentos desenvolvidos nas áreas do CAERDES: "Desempenho Agronômico de Cultivares de Quiabeiro sob Cultivo Orgânico". 

O trabalho está sendo densenvolvido pela bolsista Natali Moura e pelo Prof. Dr. Jairton Fraga Araújo desde dezembro de 2013. Foram analisadas três variedades de quiabo, entretanto, uma delas apresentou maior produtividade sob cultivo orgânico em menor espaço de tempo - a variedade Mauá. Além disso, os frutos apresentaram tamanho e qualidade adequados para comercialização. 

Voltado para a pequena agricultura, o experimento desenvolvido tem uma grande importância na região do Vale do São Francisco. "Devido as características do quiabeiro, que é uma cultura considerada rústica, pôde-se perceber que é possível obter altas produtividades sob cultivo orgânico e voltadas para o pequeno produtor. É bastante rentável", afirma Natali. 

Entretanto, não é a primeira vez que Natalie apresenta trabalho em uma Jornada Científica. Este é o terceiro ano que ela participa, porém, o primeiro em que fica entre as três primeiras colocações. A bolsista diz ter ficado muito satisfeita com o terceiro lugar. "É muito gratificante. Primeiramente, pelo reconhecimento. Depois, pelo fato de estar trabalhando e focando nos pequenos agricultores, na agricultura familiar", declara. 

A premiação recebida da Jornada Científica inclui uma viagem para a 67ª Reunião Anual da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Os ganhadores irão apresentar suas pesquisas nesse evento que acontecerá na UFSCar - Universidade Federal de São Carlos - em julho de 2015. 

Texto e foto: Mirielle Cajuhy
(Estagiária em Assessoria de Comunicação)






18 de out. de 2014

SEGUNDO DIA DO CURSO DE AGROECOLOGIA E AGRICULTURA ORGÂNICA TRAZ TEMA DOS CANAIS ALTERNATIVOS DE COMERCIALIZAÇÃO


Está acontecendo hoje no CAERDES o segundo dia do Curso de Extensão em Agroecologia e Agricultura Orgânica. O curso, que conta com a presença de 40 estudantes de Engenharia Agronômica da Uneb, tem o objetivo de conscientizar e ensinar as diversas possibilidades que existem na  produção sustentável de alimentos. Com o tema "Canais alternativos de mercado e comercialização - realidades e tendências", o Prof. Dr. Jairton Fraga Araújo trouxe para sala de aula conteúdos que abrangem o cenário local, nacional e mundial. 



Para conhecer melhor o assunto e ver como o CAERDES funciona dentro dessa perspectiva, o Professor Jairton levou os alunos para as áreas experimentais e de produção do Centro. Atualmente são desenvolvidas 12 culturas orgânicas - goiaba, macaxeira, banana, feijão, abóbora, milho, mamão, palma, tomate, cebola, quiabo e batata-doce.  




A iniciativa do curso é do projeto “Integração, Ensino, Pesquisa e Extensão em Agroecologia e Agricultura Orgânica no Submédio São Francisco” em parceria com o Diretório Acadêmico de Engenharia Agronômica da UNEB. Os próximos dias de curso serão: 02, 08 e 21 de novembro, nos horários de 8h a 12h e de 14h a 18h. É necessário, no mínimo, a presença em 80% da carga horária total - 40 horas - para a obtenção do certificado. 

Texto e fotos: Mirielle Cajuhy

(Estagiária em Assessoria de Comunicação)

15 de out. de 2014

OFICINA PROMOVIDA PELO CAERDES MOSTRA COMO O PÓ DE ROCHA PODE BENEFICIAR A AGRICULTURA

Acontecerá hoje no auditório do Memorial de Canudos, a Oficina de utilização de pó de rocha na Agricultura. A iniciativa é do CAERDES e propõe mostrar para os agricultores da cidade, como o uso do pó de rocha pode ser um melhorador do solo e substituto dos químicos industriais. A parte teórica começa às 8h, com um intervalo ao meio-dia. Já as práticas de campo, têm início às 14h e vão até às 16h. São 40 agricultores inscritos e quem irá ministrar os conteúdos é o bolsista Carlos Diogo Medeiros. 

A atividade faz parte de uma série de oficinas que são promovidas pelo CAERDES. Ao todo, são 13 cartilhas produzidas pelo Centro e que propõem práticas ecológicas e sustentáveis para a Agricultura. Acontecem uma vez por semana - às quartas-feiras - no município de Canudos. Esta oficina já é a quarta, sendo as anteriores: Princípios Teóricos da Agroecologia, Canais Alternativos de Comercialização e Manejo Ecológico do Solo e da Água. 

"Já existe pó de rocha comercial, que nfelizmente, não é difundido pela mídia. Mas, sabendo manejar, funciona", afirma o bolsista Carlos Diogo Medeiros. Ele também declara que foi importante ter inciado as oficinas pela parte teórica, pois fornece embasamento. Ensinar a respeito dos canais alternativos de comercialização e sobre o manejo ecológico, segundo Diogo, também é fundamental. "Temos que mostrar para eles que têm saída e que o retorno financeiro é maior do que o convencional", disse. "O manejo adequado do solo e da água é muito relevante, pois são os maiores bens do agricultor", completa. 

Texto: Mirielle Cajuhy
(Estagiária em Assessoria de Comunicação)

14 de out. de 2014

BOLSISTAS DO CAERDES APRESENTAM TRABALHOS NA XVIII JORNADA CIENTÍFICA




Começa hoje no campus I em Salvador a XVIII Jornada de Iniciação Científica da Universidade do Estado da Bahia. O evento tem o objetivo de promover o conhecimento a respeito das pesquisas realizadas pelos bolsistas de Iniciação Científica. Do Departamento de Tecnologia e Ciências Sociais (DTCS) do campus III de Juazeiro (BA), foram inscritos 45 trabalhos na área de Ciências Agrárias e Biológicas.

Dentre esses trabalhos, dois são desenvolvidos no CAERDES. Os trabalhos que serão apresentados pelos bolsistas Gilmário Noberto e Natali Moura são respectivamente: Utilização de biofertilizantes líquidos na produção de milho verde e Desempenho Agronômico de variedades de quiabeiro produzidas sob cultivo orgânico e irrigado no Submédio São Francisco.

A Jornada acontecerá até quinta-feira (16). Confira a programação e a relação das apresentações. Mais informações no site: http://www.ppg.uneb.br/

Confira também os artigos produzidos e que serão apresentados pelos bolsistas do CAERDES:



Texto: Mirielle Cajuhy - com informações do Blog do DTCS
(Estagiária em Assessoria de Comunicação)

13 de out. de 2014

NOVO PRESIDENTE DEVERÁ ENFATIZAR MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Uma política de mudanças climáticas responsável e eficiente deveria ser o foco principal dos candidatos a presidente. A razão é a abrangência do tema que envolve pontos nevrálgicos de qualquer regulação ambiental. Entre eles, o desmatamento de nossas florestas, a emissão de gases poluentes e do efeito estufa, urbanização intensiva, resíduos sólidos, saneamento básico e poluição hídrica.

Não ao retrocesso ambiental

Por muitos anos, a legislação ambiental do Brasil teve posição de vanguarda.

A adoção do princípio da responsabilidade civil objetiva do poluidor (obrigação de reparar o dano independentemente de culpa do poluidor) data de 1981.

Enquanto a Alemanha ainda discutia a legitimidade processual dos lobos-do-mar do Mar do Norte em ações judiciais, desde 1985 o Brasil contava com o instituto da ação civil pública, legitimando extraordinariamente o Ministério Público, o Estado e as ONGs a promoverem a defesa do meio ambiente em juízo.

Em 1988, fomos muito além de qualquer outro país do planeta na defesa constitucional do meio ambiente, prevendo a responsabilidade penal da empresa poluidora, a educação ambiental em todos os níveis de ensino, a proibição de práticas cruéis contra os animais, a obrigatoriedade de criação de Unidades de Conservação e muito mais.

Em 1992, sediamos a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ocasião em que foram assinadas as duas mais importantes convenções internacionais sobre meio ambiente: a Convenção de Diversidade Biológica e a Convenção de Mudanças Climáticas.

Estes diplomas e as leis editadas na década de 1990 (Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, Lei da Política Nacional de Recursos Hídricos, primeira Lei de Biossegurança) fizeram do Direito Ambiental Brasileiro um modelo a ser seguido pelo resto do planeta.

No entanto, este quadro promissor foi ofuscado nos últimos anos por gravíssimos retrocessos, dentre os quais o novo Código Florestal - símbolo maior da impunidade dos degradadores.

Em 2007, cientistas reunidos no Painel Intergovernamental de Alterações Climáticas, apontaram evidências de que a principal causa das mudanças do clima é, efetivamente, a ação do homem no planeta.

O que esperamos da nova Presidência da República é que reverta urgentemente esta tendência deplorável recente e assuma as responsabilidades impostas pelo atual momento histórico pelo qual passa o planeta.

Por uma posição de liderança na área ambiental

As alterações do clima no planeta, decorrentes da atividade humana, impõem a adoção de uma conduta responsável na ordem econômica efetivamente comprometida com os direitos das futuras gerações.

Compartilhamos com o prof. Fernando C. Walcacer, da Faculdade de Direito da PUC-Rio, as esperanças de que "a nova Presidência assuma um papel de liderança na área das mudanças climáticas, não só no país mas no planeta, assumindo compromissos efetivos com o desenvolvimento sustentável que garantam um mínimo de qualidade de vida às gerações futuras".

Esta também é a visão é de Vladimir Passos de Freitas, professor da PUC-PR, que igualmente manifesta preocupação com o tema e espera da nova presidência da República "que na área ambiental torne o Plano Nacional sobre Mudança do Clima uma realidade".

Será necessário repensar a política agropecuária e as matrizes energéticas, adotando modelos sustentáveis de produção e consumo. Será preciso dialogar com os setores que há cinco séculos defendem a monocultura e a pecuária extensiva e que enxergam na proteção da biodiversidade um entrave para o lucro empresarial. Será imprescindível responder às exigências dos conglomerados urbanos e evoluir nas áreas do saneamento básico e de resíduos sólidos.

Como muito bem ressalta Márcia Dieguez Leuzinger, presidente do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública e professora de Direito Ambiental da UNICEUB-DF, "(...) a inércia em implementar políticas de adaptação às mudanças climáticas oferece um panorama negativo do atual governo. Diante desse quadro, espero que o próximo Presidente da República seja sensível à questão ambiental e incorpore, definitivamente, na agenda política interna, não apenas a discussão sobre os problemas afetos ao meio ambiente, mas principalmente a formulação e implementação de políticas ambientais transversais, que permeiem toda a Administração Pública, e que sejam capazes de nos preparar para enfrentar as graves consequências ambientais causadas pelas ações irresponsáveis de seus antecessores".

Chegamos a um ponto de inflexão. O que está em jogo é a sobrevivência da humanidade. A luta pela água e o enfrentamento da questão relativa aos refugiados ambientais serão constantes cada vez mais marcantes nos próximos anos e décadas.

Espera-se, assim, que em todos os setores da economia esteja presente uma análise sob a perspectiva de uma Política Nacional de Mudanças Climáticas responsável e que, por ocasião da COP 21 (Paris/2015), o Brasil assuma a liderança no novo acordo global de redução da emissão de gases de efeito estufa.

Confira a matéria na íntegra através deste endereço:
Por: Guilherme José Purvin de Figueiredo/ O eco