13 de set. de 2013

O DESENVOLVIMENTO RURAL E O USO DA ÁGUA


Por Prof. Dr. Jairton Fraga Araújo



O Progresso experimentado pela humanidade nos últimos 100 anos está diretamente ligado à disponibilidade e distribuição da água potável. Nas regiões onde não se tem conseguido suprir as necessidades básicas dos seres vivos e do desenvolvimento econômico e má qualidade de vida do povo tem sido um dos fatores acelerados da degradação socioambiental.

Regiões imensas do planeta não compreenderam a importância estratégica dos recursos hídricos para a manutenção da vida no mundo. Não só as atividades econômicas estão comprometidas, mas o conjunto das ações humanas, em decorrência da possibilidade de eliminação da potabilidade da água doce, por conta da  adoção de modelos de crescimento insustentáveis.

Os países centrais desenvolvidos apresentam um elevado consumo per capita de água doce, em relação as nações periféricas ou em desenvolvimento e por isso mesmo, tem padrões de sustentabilidade mais consentâneos com os desafios de um mundo onde a qualidade do ambiente, a equidade social e a eficiência econômica sejam uma exigência de padrão universal.



CONTINENTE
CONSUMO (m³)
EUROPA
626
ÁSIA
542
ÁFRICA
202
OCEANIA
586


AMÉRICAS:

AMÉRICA DO NORTE
1680
AMÉRICA LATINA E CARIBE
402

A tabela acima reflete o atual quadro de consumo de água doce por continente.
 



Nas nações em desenvolvimento, apenas metade da população tem acesso à água potável. E nas nações industrializadas, os suprimentos subterrâneos e de superfície de água doce estão sendo poluídos pelos detritos e rejeitos industriais e municipais e pelo escoamento de áreas urbanas e rurais.

Ao contrário do combustível fóssil e do solo, as águas doces são uma fonte renovável. Se houver uso adequado e cuidadosa conservação, o ciclo hidrológico global pode satisfazer as necessidades atuais e projetadas por água em uma base sustentável.

As águas cobrem 70% de nosso planeta, no entanto, mais de 97% desta água é salgada (mares e oceanos) e menos de 3% do total corresponde a água doce. Entretanto 77% estão fora do alcance humano porque encontram-se na forma de gelo e neve nos círculos polares e áreas montanhosas. O restante, 22%, encontram-se em condições de mais difícil acesso, são as águas subterrâneas e uma pequena fração restante (1%) encontra-se nos lagos, rios, plantas e animais.

Lamentavelmente a água tem sido tratada como um recurso de uso ilimitado, que é fornecido o mais barato possível e em qualquer quantidade desejada. Todavia o crescimento populacional e as exigências crescentes por energia e alimentos estão impondo crescentes demandas aos suprimentos de água doce.

A crise é tão grave que hoje cerca de 1,4 bilhão de pessoas não tem acesso a água limpa e a cada 8 segundos morre uma criança por doença relacionada à água, como disenteria e cólera. Cerca de 80% das enfermidades no mundo são contraídas por causa de água poluída e no Iraque, dois barris de petróleo chegam a ser trocados por um barril de água mineral importada.

Inúmeras são as causas de escassez de água doce, o crescente uso da água na agricultura e indústria e a degradação ambiental com a morte de rios, riachos e córregos tem sido as mais frequentes. Em todo o mundo a irrigação na agricultura responde por cerca de 73% do consumo de água; 21% vão para a indústria; e os 6% restante destinam-se ao uso doméstico.

A água deve e precisa ser encarada como um elemento físico estratégico para o desenvolvimento, notadamente o rural. O acesso a água doce é cidadania, e no limiar do terceiro milênio ainda temos no semiárido brasileiro, a despeito dos imensos potenciais hídricos do país duas categorias de cidadãos “os com água e os sem água”.

Fomos capazes de operar transformações inimagináveis, no entanto, ainda nos deparamos com questões que desafiam a sociedade contemporânea, embora de fácil solução.

É bem verdade que os avanços tecnológicos e o progresso tem um preço e os conflitos pelo uso da água desde a produção de energia, irrigação, lazer, ao abastecimento humano necessitam ser gerenciados para atender o conceito de desenvolvimento sustentável anunciado no relatório Brundtland. “Desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras atenderem às suas próprias”.

O meio rural historicamente desigual em relação ao espaço urbano, requer nova forma de avaliação e percepção, não há crescimento socialmente neutro: ele gera renda e acumula riqueza , que são socialmente apropriadas. Nesse sentido, as ações públicas antipobreza precisam estar explicitamente consideradas na formulação e execução de políticas de desenvolvimento – e não de forma acessória e subsidiária sendo apenas objeto de medidas compensatórias.

Não será possível diminuir desigualdades se as populações rurais não tiverem acesso a serviços básicos como: água potável, energia, transporte, saúde e atividades econômicas. Mas é a água o elemento promotor de vida, vida que ressurge no cinza da paisagem ressequida do Nordeste quando atomizada nos processos de irrigação possibilitando o ressurgimento de uma vida intensa e bruxeleante.

Também com água e acumulação de riqueza ocorre, povoado, distritos, aglomerados rurais ou não, de todo o Nordeste, especialmente no meio rural, não tem acesso a água, concentrando e condenando milhares de pessoas ao arbítrio do poder econômico.

Mesmo populações às margens de grandes corpos de água como o Rio São Francisco, com cerca de 2700 km de sua calha principal e 10% da população brasileira, com 58% de seu curso em pleno polígono das secas, apresentam realidades rurais das mais díspares onde a exclusão social e a econômica é a regra onde persistem formas escravocratas de poder e intensa degradação ambiental.

Ainda nessas condições, nosso maior desafio em pleno século XXI, é fazer com que nossos irmãos e irmãs tenham acesso a comida e água potável, bases para um adequado desenvolvimento rural integrado e sustentável.


11 de set. de 2013

MUDANÇAS NO CLIMA DO BRASIL ATÉ 2100

O clima no Brasil nas próximas décadas deverá ser mais quente – com aumento gradativo e variável da temperatura média em todas as regiões do país entre 1 ºC e 6 ºC até 2100, em comparação à registrada no fim do século 20.

No mesmo período, também deverá diminuir significativamente a ocorrência de chuvas em grande parte das regiões central, Norte e Nordeste do país. Nas regiões Sul e Sudeste, por outro lado, haverá um aumento do número de precipitações.


As conclusões são do primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1) do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), cujo sumário executivo foi divulgado nesta segunda-feira (09/08), durante a 1ª Conferência Nacional de Mudanças Climáticas Globais (Conclima). Organizado pela FAPESP e promovido com a Rede Brasileira de Pesquisa e Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC), o evento ocorre até a próxima sexta-feira (13/09), no Espaço Apas, em São Paulo.


De acordo com o relatório, tendo em vista que as mudanças climáticas e os impactos sobre as populações e os setores econômicos nos próximos anos não serão idênticos em todo o país, o Brasil precisa levar em conta as diferenças regionais no desenvolvimento de ações de adaptação e mitigação e de políticas agrícolas, de geração de energia e de abastecimento hídrico para essas diferentes regiões.


Dividido em três partes, o Relatório 1 – em fase final de elaboração – apresenta projeções regionalizadas das mudanças climáticas que deverão ocorrer nos seis diferentes biomas do Brasil até 2100, e indica quais são seus impactos estimados e as possíveis formas de mitigá-los.


As projeções foram feitas com base em revisões de estudos realizados entre 2007 e início de 2013 por 345 pesquisadores de diversas áreas, integrantes do PBMC, e em resultados científicos de modelagem climática global e regional.


“O Relatório está sendo preparado nos mesmos moldes dos relatórios publicados pelo Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas [IPCC, na sigla em inglês], que não realiza pesquisa, mas avalia os estudos já publicados”, disse José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador do encontro.


“Depois de muito trabalho e interação, chegamos aos resultados principais dos três grupos de trabalho [Bases científicas das mudanças climáticas; Impactos, vulnerabilidades e adaptação; e Mitigação das mudanças climáticas]”, ressaltou.


Principais conclusões


Uma das conclusões do relatório é de que os eventos extremos de secas e estiagens prolongadas, principalmente nos biomas da Amazônia, Cerrado e Caatinga, devem aumentar e essas mudanças devem se acentuar a partir da metade e no fim do século 21.


A temperatura na Amazônia deverá aumentar progressivamente de 1 ºC a 1,5 ºC até 2040 – com diminuição de 25% a 30% no volume de chuvas –, entre 3 ºC e 3,5 ºC no período de 2041 a 2070 – com redução de 40% a 45% na ocorrência de chuvas –, e entre 5 ºC a 6 ºC entre 2071 a 2100.


Enquanto as modificações do clima associadas às mudanças globais podem comprometer o bioma em longo prazo, a questão atual do desmatamento decorrente das intensas atividades de uso da terra representa uma ameaça mais imediata para a Amazônia, ponderam os autores do relatório.


Os pesquisadores ressaltam que estudos observacionais e de modelagem numérica sugerem que, caso o desmatamento alcance 40% na região no futuro, haverá uma mudança drástica no padrão do ciclo hidrológico, com redução de 40% na chuva durante os meses de julho a novembro – o que prolongaria a duração da estação seca e provocaria o aquecimento superficial do bioma em até 4 ºC.


Dessa forma, as mudanças regionais decorrentes do efeito do desmatamento se somariam às provenientes das mudanças globais e constituíram condições propícias para a savanização da Amazônia – problema que tende a ser mais crítico na região oriental, ressaltam os pesquisadores.


“As projeções permitirão analisar melhor esse problema de savanização da Amazônia, que, na verdade, percebemos que poderá ocorrer em determinados pontos da floresta, e não no bioma como um todo, conforme previam alguns estudos”, destacou Tércio Ambrizzi, um dos autores coordenadores do sumário executivo do grupo de trabalho sobre a base científica das mudanças climáticas.


A temperatura da Caatinga também deverá aumentar entre 0,5 ºC e 1 ºC e as chuvas no bioma diminuirão entre 10% e 20% até 2040. Entre 2041 e 2070 o clima da região deverá ficar de 1,5 ºC a 2,5 ºC mais quente e o padrão de chuva diminuir entre 25% e 35%. Até o final do século, a temperatura do bioma deverá aumentar progressivamente entre 3,5 ºC e 4,5 ºC  e a ocorrência de chuva diminuir entre 40% e 50%. Tais mudanças podem desencadear o processo de desertificação do bioma.   


Por sua vez, a temperatura no Cerrado deverá aumentar entre 5 ºC e 5,5 ºC e as chuvas diminuirão entre 35% e 45% no bioma até 2100. No Pantanal, o aquecimento da temperatura deverá ser de 3,5ºC a 4,5ºC até o final do século, com diminuição acentuada dos padrões de chuva no bioma – com queda de 35% a 45%.         


Já no caso da Mata Atlântica, como o bioma abrange áreas desde a região Sul do país, passando pelo Sudeste e chegando até o Nordeste, as projeções apontam dois regimes distintos de mudanças climáticas.


Na porção Nordeste deve ocorrer um aumento relativamente baixo na temperatura – entre 0,5 ºC e 1 ºC – e decréscimo nos níveis de precipitação (chuva) em torno de 10% até 2040. Entre 2041 e 2070, o aquecimento do clima da região deverá ser de 2 ºC a 3 ºC, com diminuição pluviométrica entre 20% e 25%. Já para o final do século – entre 2071 e 2100 –, estimam-se condições de aquecimento intenso – com aumento de 3 ºC a 4 ºC na temperatura – e diminuição de 30% a 35% na ocorrência de chuvas.         


Nas porções Sul e Sudeste as projeções indicam aumento relativamente baixo de temperatura entre 0,5 ºC e 1 ºC até 2040, com aumento de 5% a 10% no número de chuva. Entre 2041 e 2070 deverão ser mantidas as tendências de aumento gradual de 1,5 ºC a 2 ºC na temperatura e de 15% a 20% de chuvas.  


Tais tendências devem se acentuar ainda mais no final do século, quando o clima deverá ficar entre 2,5 ºC e 3 ºC mais quente e entre 25% e 30% mais chuvoso.         


Por fim, para o Pampa, as projeções indicam que até 2040 o clima da região será entre 5% e 10% mais chuvoso e até 1 ºC mais quente. Já entre 2041 e 2070, a temperatura do bioma deverá aumentar entre 1 ºC e 1,5 ºC  e haverá uma intensificação das chuvas entre 15% e 20%. As projeções para o clima da região no período entre 2071 e 2100 são mais agravantes, com aumento de temperatura de 2,5 ºC a 3 ºC e ocorrência de chuvas entre 35% e 40% acima do normal.                  


“O que se observa, de forma geral, é que nas regiões Norte e Nordeste do Brasil a tendência é de um aumento de temperatura e de diminuição das chuvas ao longo do século”, resumiu Ambrizzi.       


“Já nas regiões mais ao Sul essa tendência se inverte: há uma tendência tanto de aumento da temperatura – ainda que não intenso – e de precipitação”, comparou. 


Impactos e adaptação


As mudanças nos padrões de precipitação nas diferentes regiões do país, causadas pelas mudanças climáticas, deverão ter impactos diretos na agricultura, na geração e distribuição de energia e nos recursos hídricos das regiões, uma vez que a água deve se tornar mais rara nas regiões Norte e Nordeste e mais abundante no Sul e Sudeste, alertam os pesquisadores.


Por isso, será preciso desenvolver ações de adaptação e mitigação específicas e rever decisões de investimento, como a construção de hidrelétricas nas regiões leste da Amazônia, onde os rios poderão ter redução da vazão da ordem de até 20%, ressalvaram os pesquisadores.


“Essas variações de impactos mostram que qualquer tipo de estratégia planejada para geração de energia no leste da Amazônia está ameaçada, porque há uma série de fragilidades”, disse Eduardo Assad, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).


“Dará para contar com água. Mas até quando e onde encontrar água nessas regiões são incógnitas”, disse o pesquisador, que é um dos coordenadores do Grupo de Trabalho 2 do relatório, sobre Impactos, vulnerabilidades e adaptação.


De acordo com Assad, é muito caro realizar ações de adaptação às mudanças climáticas no Brasil em razão das fragilidades que o país apresenta tanto em termos naturais – com grandes variações de paisagens – como socioeconômicas.


“A maior parte da população brasileira – principalmente a que habita as regiões costeiras do país – está vulnerável aos impactos das mudanças climáticas. Resolver isso não será algo muito fácil”, estimou.


Entre os setores econômicos do país, segundo Assad, a agricultura é um dos poucos que vêm se adiantando para se adaptar aos impactos das mudanças climáticas.


“Já estamos trabalhando com condições de adaptação há mais de oito anos. É possível desenvolver cultivares tolerantes a temperaturas elevadas ou à deficiência hídrica [dos solos], disse Assad.


O pesquisador também ressaltou que os grupos populacionais com piores condições de renda, educação e moradia sofrerão mais intensamente os impactos das mudanças climáticas no país. “Teremos que tomar decisões rápidas para evitar que tragédias aconteçam.”

Insituto Carbono Brasil
Confira a matéria na íntegra no site domtotal/http://www.domtotal.com/

4 de set. de 2013

AGROECOLOGIA ALIA PREOCUPAÇÃO AMBIENTAL COM QUESTÕES SOCIAIS

Uma produção agrícola que se preocupa não apenas com a conservação do meio ambiente, mas também com a igualdade entre sexos, preservação de comunidades tradicionais e com o bem-estar do consumidor. Essa é a agroecologia. Aliando conceitos de ecologia e preocupação social com técnicas de agricultura, essa forma de trabalho ganha cada vez mais adeptos e pode transformar o modo de cultivo dos alimentos no país.
A agroecologia pode ser definida como um campo de conhecimento interdisciplinar, que alia a produção agropecuária com conceitos ecológicos. Assim como a agricultura orgânica, essa forma de produção dispensa o uso de agrotóxicos e adubos químicos industrializados, utilizando elementos naturais para produzir alimentos, sem degradar o solo, lençois freáticos ou cursos de água da região. Porém, as preocupações dos adeptos da agroecologia vão muito além da preservação do meio ambiente.
Secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecolog, Dênis Monteiro explica que ela é um campo de conhecimento interdisciplinar. Junto da preocupação com o meio-ambiente, a agroecologia trabalha com questões de sustentabilidade econômica, social, política e ética. Ela luta por questões como melhoria do acesso à terra, preservação de comunidades tradicionais, inclusão de populações pobres e segurança alimentar, entre outras.
Além disso, ainda atua na melhoria de técnicas de produção, que podem ajudar a expandir ainda mais essa forma de produção agrícola. “Podemos defini-la como uma ciência, mas também como prática social. É um movimento social que junta pessoas, redes e organizações preocupados com um desenvolvimento mais sustentável”, comenta Dênis.

Agroecologia alia técnicas artesanais agrícolas com preocupação social e estimula produções familiares como esta, na Paraíba (Foto: Divulgação/ AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia)
Prática social
Um dos focos principais da agroecologia é a luta a favor da reforma agrária. “O modelo de desenvolvimento rural no país é baseado numa grande concentração da propriedade de terra. É pouca gente com muita terra”, critica Dênis. Ele destaca que a manutenção da agroecologia depende de pequenas plantações familiares, que acompanham o crescimento dos vegetais mais de perto e sem a necessidade do uso de agrotóxicos. Portanto, de acordo com ele, quanto mais famílias tiverem acesso à terra no Brasil, maior será a produção agroecológica.
Outro ponto de ação da agroecologia é na defesa de comunidades tradicionais, como grupos indígenas e quilombolas. “O conhecimento desses grupos é uma verdadeira enciclopédia da ecologia, que não pode ser perdida”, comenta Monteiro. Essas comunidades desenvolvem uma agricultura mais natural, observando plantas, animais e até o clima da região, e aproveitam esse conhecimento, dispensando o uso de produtos químicos.
Enquanto a agricultura tradicional segue um modelo mecanizado, com pequena participação humana, a agroecologia é focada na produção familiar, com participação ativa das pessoas. “As mulheres têm um papel importantíssimo na família, cuidando da saúde e alimentação dos outros integrantes”, comenta Dênis.
Portanto, de acordo com o secretário executivo, as mulheres desempenham uma função primordial na agroecologia. “Elas devem ter espaço, voz nas decisões tomadas. Não a opressão que existe hoje”, destaca Monteiro. Por conta dessa importância, a igualdade entre sexos é defendida pela agroecologia.
Valorizando o trabalho dos agricultores, a agroecologia também trabalha na maior aproximação entre o produtor e o consumidor. Dênis explica que é estimulada a distribuição de alimentos em mercados locais, diminuindo o número de intermediários entre a produção e a venda, e dispensando os gastos e poluição envolvidos no transporte de alimentos por grandes distâncias. “Na agroecologia, o retorno financeiro aos produtores é maior, visto que a venda é feita de forma mais direta”, conta Monteiro.

Participação do Estado
Dênis comenta que, apesar de pequena, a participação do Estado a favor dos produtores agroecológicos está aumentando. “Nos últimos anos, surgiram políticas públicas que apoiam nosso trabalho”, conta. Hoje, 35% do dinheiro destinado à compra de alimentos para segurança alimentar é destinado à produção familiar. Creches, asilos e outras instituições que distribuem alimentos são abastecidas por produtores locais, o que fortalece os mercados regionais.
Atualmente, existe grande expectativa ao redor da Política Nacional de Agroecologia e Alimentos Orgânicos (Pnapo). A política do governo, que deverá ser colocada em prática a partir de setembro, estabelece uma série de instrumentos e procedimentos que deverão beneficiar os produtores orgânicos e agroecológicos.O governo deverá estimular a criação de créditos rurais para esse tipo de produção, além de assistências técnicas, promoção de pesquisas e modelos de distribuição que beneficiem o produtor familiar, entre outros estímulos. “Se a política for seguida à risca, fortalecerá bastante a agroecologia. Em três anos, teremos mais agricultores, maior produção, maior participação de mulheres e jovens”, prevê Dênis.
Mas o secretário é realista: existe um grande caminho a ser percorrido. Ele explica que, para que o Pnapo se transforme em realidade, é preciso haver uma grande mudança estrutural e política na agricultura brasileira. “O modelo político sempre beneficiou os agroexportadores. Precisamos mudar isso, para beneficiar também o pequeno produtor”. Questões como maior distribuição das terras, diminuição no uso de agrotóxicos e de sementes transgênicas, são os principais desafios que precisam ser enfrentados para que a política seja implementada.

A matéria acima foi publicada no site  globo.com no dia 31/08/2013 (link: http://redeglobo.globo.com/globoecologia/noticia/2013/08/agroecologia-alia

22 de ago. de 2013

O DESAFIO DE EDUCAR DE FORMA SUSTENTÁVEL

Por Ana Larissa Andrade Araújo

Imagem retirada do site http://pedagogoambiental.blogspot.com.br

Em tempos onde o capitalismo, a exploração econômica, o incentivo ao consumo desenfreado, a massificação cultural e mental e o paternalismo são protagonistas do cenário social de diversas nações, emerge o seguinte questionamento: é possível educar de forma sustentável?

Tal pergunta, ouso arriscar, pode conter resposta capaz de modificar todo o futuro de um país e de um povo. Assim, devemos ser inquisitivos, questionadores, chamando a responsabilidade para nós, cidadãos, capazes de responder a essa pergunta.

Esteja eu sendo otimista ou não, arrisco uma resposta: sim, é possível. Uma educação transformadora deve partir do pressuposto de que a consciência ambiental é política pública prioritária e as crianças, jovens e adultos em processo de aprendizagem devem ter acesso a mecanismos pedagógicos que possibilitem o desenvolvimento de habilidades e valores voltados à construção de um panorama futuro baseado na sustentabilidade.

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou em 2002 que entre 2005 e 2014 estaríamos vivendo a Década Internacional para o Desenvolvimento Sustentável. Ano que vem esta década se encerra e precisamos fazer um balanço: quais os avanços na educação sustentável? As nações foram capazes de promover a integração valorativa do homem ao ambiente, através da educação?

Nosso sistema funciona se preocupando basicamente com a formação do aluno no sentido acadêmico, preparando-o para resolver equações matemáticas de segundo grau, para o mercado de trabalho, de acordo com as metodologias tradicionais bastante limitadas, mas privando este mesmo aluno das vivências e experiências voltadas às questões sociais. O aluno educado de forma sustentável, por outro lado, possui uma visão holística das relações. É capaz de fazer ligações, estabelecer pontes que ultrapassam aquelas meramente cognitivas, enxerga os vários aspectos de uma questão e é capaz de solucionar problemas de forma mais eficaz.

Educar de forma sustentável é muito mais do que ensinar sobre meio ambiente, é humanizar conceitos, é tratar com competência e responsabilidade problemas ambientais graves (como a poluição sonora, hídrica e atmosférica), a destinação de resíduos sólidos, o esgotamento do solo e o aquecimento global. Mais do que humanizar, é preciso rever o processo de ensino-aprendizagem e as vertentes para as quais ele se volta, garantindo que sejam respeitados e valorizados os preceitos de integração ambiental e garantindo ao aluno o desenvolvimento de competências específicas para lidar com os problemas ambientais atuais e futuros, quando vistos sob uma ótica global e também sob um ótica específica. Em todas as esferas deve ser possível que o aluno possua consciência e sensibilidade para lidar com as questões prioritárias supracitadas. Mais do que imediatismos e medidas emergenciais, precisamos trabalhar com a prevenção.

O desafio é grande, ressalto novamente. Assim como podem ser grandes os resultados dessa mudança de postura. Mais do que debates e fóruns mundiais, onde as nações firmam compromissos que costumam ficar mais no papel do que na prática, é preciso priorizar as escolas, universidades, os institutos de ensino, pois são organismos vivos, meios para introduzir mudanças, inovar, direcionar a percepção e a criatividade, alterando a realidade.

Nas palavras do mestre Paulo Freire, que discutiu educação como poucos, concluo: "Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda. Se a nossa opção é progressiva, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não de sua negação, não temos outro caminho se não viver a nossa opção. Encarná-la, diminuindo, assim, a distância entre o que dizemos e o que fazemos."


Ana Larissa Andrade Araújo é discente do curso de Direito da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

21 de ago. de 2013

A QUESTÃO DO ASSOREAMENTO DO RIO NO VALE DO SÃO FRANCISCO

Por Saulo André de Souza Leite Melo

Imagem retirada do site http://www.odiariodaregiao.com

O Rio São Francisco, um dos principais rios do Brasil, nasce na Serra da Canastra, região do Chapadão da Zagaia, Minas Gerais. Banhando vários municípios, entre estes a região do Vale do São Francisco, que nas últimas décadas apresentou um elevado grau de desenvolvimento em expansão urbana e produção agrícola. Hoje o vale é o maior exportador de frutas do país e sozinho é responsável por cerca de 30% da exportação de frutas.

Com o desenvolvimento desenfreado e a falta de fiscalização das políticas públicas, a região ribeirinha denominada mata ciliar vem sendo desmatada para abrir espaço às cidades e lavouras. Com o desmatamento da região, o solo está escorrendo para o rio e se depositando no fundo, fazendo, pouco a pouco, com que o rio fique mais raso. 

Em algumas localidades, como na Ilha do Rodeadouro, é possível andar até o meio do Rio. Em algumas regiões, as embarcações não podem mais navegar devido ao perigo representado pelos "barrancos de areia". O baixo nível da água também está afetando a trajetória de alguns peixes que necessitam subir o rio para possibilitar sua reprodução.

Teoricamente, por lei (Código Florestal - Lei n.º 4.771/65), a mata ciliar é uma área de preservação permanente obrigatória. Toda a vegetação natural, arbórea ou não, presente ao longo das margens dos rios, ao redor de nascentes e reservatórios, deve ser preservada, de acordo com o artigo 2º desta lei. 

A largura da faixa de mata ciliar a ser preservada deve ser relacionada à largura do curso d'água. Essa lei existe há 48 anos, mas nem sempre é cumprida, especialmente aqui na região. Evitar o assoreamento, portanto, além de constituir tarefa de proteção ambiental, é também exercício da cidadania.

Saulo André de Souza Leite Melo é estudante de Engenharia Agronômica da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

20 de ago. de 2013

CAERDES FECHA PARCERIA COM A EMBRAPA

Na última semana, o Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável - CAERDES fechou uma importante parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA. 




Em visita ao CAERDES, alunos e pesquisadores se reuniram e discutiram a implantação de um novo projeto, com foco no cultivo e produção orgânica do tomate. O projeto envolverá, além dos pesquisadores da Embrapa, alunos de mestrado, de graduação em Ciências Biológicas da UPE, alunos de Engenharia Agronômica da UNEB e o Prof. Dr. Jairton Fraga Araújo, Coordenador do CAERDES.

19 de ago. de 2013

PALESTRAS REALIZADAS NO COLÉGIO DA POLÍCIA MILITAR LEVAM CONHECIMENTO À JOVENS E ADULTOS

Por Ana Larissa Andrade Araújo

O Projeto "Estratégias sociais de acesso social à legislação agroambiental, como mecanismo de proteção aos bens de uso comum" promoveu uma série de palestras no Colégio da Polícia Militar de Juazeiro na primeira quinzena de Agosto. 





O projeto objetiva levar à população o conhecimento acerca da legislação ambiental brasileira, partindo do pressuposto de que o conhecimento é transformador e pode alterar a realidade social de um bairro, comunidade, cidade e até mesmo de um país inteiro. As ações ocorrem de forma dinâmica e educativa, através de métodos como as palestras, vídeos, oficinas e cartilhas. 

Assim, o ciclo de palestras teve foco em três legislações principais: a Lei dos Orgânicos, dos Agrotóxicos e dos Crimes Ambientais e contou com um público de cerca de 100 alunos. É a continuação de um trabalho de educação ambiental sustentável iniciado neste ano pelo projeto supracitado.

As associações, escolas e demais entidades que se interessem em receber palestras ou outras ações do projeto em suas comunidades podem entrar em contato com o Centro de Agroecologia, Energias Renováveis e Desenvolvimento Sustentável (CAERDES), pelo telefone (74) 3611-7363, ramal 270 ou pelo email direitoverde@hotmail.com.


DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DAS PLANTAS



Art. 1º - Todas as plantas nascem perante à vida e têm os mesmos direitos à existência.

Art. 2º - O homem depende da planta e não pode exterminá-la. Tem obrigação de colocar a seu serviço os conhecimentos que adquiriu.

Art. 3º - Toda planta tem direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem. Se a morte de uma planta for necessária, deve ser precedida de cuidados para o transplante da espécie.

Art. 4º - Toda planta que pertence a espécie selvagem tem direito a viver em seu próprio ambiente natural terrestre ou aquático e a reproduzir-se.

Art. 5º - Toda planta que pertence a uma espécie ambientada tradicionalmente na vizinhança do homem tem direito a viver e crescer no ritmo e nas condições de vida e liberdade que forem próprias de sua espécie.

Art. 6º - Se uma planta for criada para alimentação, que o sejam em solo previamente preparado, utilizando-se técnicas e elementos que permitam o seu crescimento natural.

Art. 7º - Todo ato que implique a morte desnecessária de uma planta constitui biocídio, isto é, crime contra a vida.

Art. 8º - Todo ato que implique morte de grande número de plantas selvagens constitui crime contra a espécie.

Art. 9º - Os organismos de proteção e salvaguarda das plantas devem ter representação em nível governamental. Os direitos das plantas devem ser defendidos por lei, como os direitos humanos e os direitos dos animais.

Adalberto Melo de Andrade (modificado) in Carneiro, S. M. de B., 1997.

16 de ago. de 2013

A ALMA DO RIO

Prof. Dr. Jairton Fraga Araujo

Os elementais da natureza falam, ouvem e sentem, com outros sentidos que não os conhecidos, contudo, apenas as culturas aborígines e os celtas, perceberam essa relação permanente de todos os tempos. Nós, da chamada cultura ocidental, urbanos, cinzentos, tristes, somos definitivamente temporários pouco afeitos ao mundo da espiritualidade da natureza  que desconhecemos.  

Entre os elementais da natureza, desperta muita atenção os rios – sim, os rios, porque a razão e à semelhança dos seres humanos os rios possuem uma alma, (uma centelha vital que o anima) e são alimentadores do espírito humano. O superorganismo Gaia, é constituído por seres animados e inanimados e todos fazem parte da evolução planetária. Os sentidos mais materializados, percebem os seres animados e inanimados. Contudo, o imaterial está dissolto em uma tênue penumbra, real mas não visível. Assim o planeta é um enorme útero onde formas viventes e não viventes, materiais e imateriais convivem harmonicamente, coevoluindo e interagindo sempre. Realizam processos que estão submetidos a uma ordem perfeita mas pouco compreensível,  ocupando o espaço.

Todo nosso evoluir tem sido profundamente dorido, pois embora dotados de razão os homens experimentam sentimentos que em outros seres estão adormecidos. E esses sentimentos são a causa primária de nossas dificuldades evolutivas. Vivemos numa época e em sociedades, que perderam aspectos fundamentais do equilíbrio psíquico, por exemplo, o hábito da contemplação, as pessoas não admiram com a intensidade, atenção e apreço de outrora, os rios, a lua, as plantas, as rochas preciosas, o sol e as estrelas. Não nos entusiasmamos mais, com a chuva, senão, pelo aspecto econômico que resulta da sua ocorrência. Em outros tempos, seu significado ultrapassava muito a função econômica, encantava-nos o vê-la deitar sobre a terra, correr solta e possibilitar a vida. Em síntese, as pessoas não se permitem o ócio criativo.

Para a atual civilização a função econômica determina a vida e não a vida, determina as funções, essa é a lógica, que nos é, fatal.

Nós, estamos perdendo a humanidade que há em cada um, trocando-a pelas conquistas tecnológicas que produzem o excessivo conforto material e o acúmulo de riqueza na busca da felicidade. Toda busca desenfreada pela satisfação material nos desequilibra e produz dor e sofrimento à natureza. Francisco de Assis, foi um singular exemplo de vida irmanada com a natureza, renunciou à riqueza e passou a pregar a simplicidade e a espiritualidade. Tais considerações, parecem a princípio contraditórias, pois todo o esforço civilizatório foi, e o é, para melhorar a vida na Terra – vida, que de modo geral, simboliza para a esmagadora maioria dos viventes na Terra,  apenas e tão somente, bem estar físico – financeiro.

Uma observação mais detalhada, permite concluir, que todas as lutas pela sobrevivência estão reduzidas a organização socioeconômica e sua luta pela produção e pela distribuição das riquezas, como se, para além, nada houvesse, só o vazio e a ausência de significados. A lógica do Establishment é dominar e subordinar a natureza a uma função econômica.  Tais “verdades” se constituem em sistemas incompletos e fraturados. São modelos lineares, quando a vida é híbrida, são ensaios encapsulados da razão humana, destituídos do elemento espiritualidade e não por menos excludentes da totalidade.

Por sua vez os nossos irmãos – os rios, são criadouros, altruístas e sem ambiguidades. Nas cheias, podem proporcionar a vida ou destruí-la ferozmente, é a alma do rio se expandindo. Olhá-lo é revigorar a alma humana é renascer para a vida quotidiana. As águas organizadas correndo por sobre a superfície da terra são vivificadoras e o olhar detido ao rio é como adentrar sua alma numa catarse psicológica, lá encontramos paz, quietude, beleza, senso de estética, grandiosidade e são nesses momentos, que realizamos encontros com o universo.


Quando descerro meus olhos para o Velho Chico, vendo-o hidrosangrar, perdendo ao longo dos anos suas artérias principais e vitais, padecendo de ateroesclerose pela deposição de sedimentos em seu leito, vê-lo perder a visão pois arrancam suas matas ciliares protetivas e secam suas papilas gestativas, ver inserirem em suas entranhas corpos estranhos e toxinas sintéticas, sinto que a alma irmã – o rio, mesmo ferido, oferece-se em martírio, possibilitando que nosso corpo material dele se beneficie, com cada célula se renovando, cada reação bioquímica ocorrendo  simultaneamente ao correr das águas, ajudando-nos a descobrir novos significados para continuar vivendo. Neste instante, vejo que o belo e o trágico são expressões humanas e que o rio traz a  vida e a renovação. Convenço-me então, que sou seu irmão e que sua alma me alimenta como elementais que se completam.

4 de abr. de 2013

NÍVEIS DE GASES DO EFEITO ESTUFA ATINGEM NOVO RECORDE EM 2011, INDICA ESTUDO

GENEBRA - Os volumes de gases do efeito estufa, apontados como responsáveis pelas mudanças climáticas no planeta, alcançaram um novo recorde em 2011, informou a Organização Meteorológica Mundial em seu boletim anual sobre o efeito estufa, divulgado nesta terça-feira.

A quantidade de dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa emitido pelas atividades humanas, se expandiu num ritmo semelhante ao da década anterior e chegou a 390,9 partes por milhão (ppm), 40 por cento acima do nível pré-industrial, de acordo com o levantamento.

O volume cresceu a uma média de 2 ppm nos últimos dez anos. Os combustíveis fósseis são a fonte principal de cerca de 375 bilhões de toneladas de carbono liberados na atmosfera desde o início da era industrial, em 1750, afirmou a organização.

O secretário-geral da entidade, Michel Jarraud, disse que bilhões de toneladas de dióxido de carbono extra iriam permanecer por séculos na atmosfera, provocando mais aquecimento no planeta.

"Já temos visto que os oceanos estão ficando mais ácidos, com repercussões potenciais para a cadeia alimentar subaquática e os recifes de coral", disse ele em um comunicado.

Níveis de metano, outro gás do efeito estufa que permanece por muito tempo na atmosfera, aumentaram com consistência nos últimos três anos depois de terem ficado estabilizados por cerca de sete anos. Os motivos para essa estabilização ainda não estão claros.

O que é o efeito estufa?

O aquecimento global é causado por um aumento no chamado efeito estufa. O efeito estufa em si não é ruim, pois é o que permite que a Terra se mantenha quente o suficiente para a sobrevivência dos organismos vivos.

Pense na Terra como sendo um carro que ficou estacionado o dia inteiro exposto ao Sol. Depois de algum tempo sob o Sol a temperatura dentro do carro está sempre bem mais alta do que a externa. Os raios do Sol entram pelas janelas do carro, e parte do calor é absorvida pelos assentos, pelo painel, pelo carpete e pelos tapetes. Quando esses objetos liberam calor, ele não sai totalmente pelas janelas. Um pouco se reflete no interior do veículo. O calor que os assentos liberam tem um comprimento de onda diferente da luz do Sol que conseguiu atravessar as janelas. Isso quer dizer que a quantidade de energia que entra é maior do que a que sai. O resultado é um aumento gradual na temperatura dentro do carro.

Quando os raios do Sol atingem a atmosfera e a superfície da Terra, cerca de 70% da energia fica no planeta e é absorvida pe lo solo, pelos oceanos, pelas plantas e por outros elementos. Os outros 30% se refletem no espaço por nuvens e outras superfícies refletivas [ref] (em inglês). Mas mesmo os 70% restantes que conseguem chegar aqui não ficam na Terra para sempre (se isso acontecesse o planeta se tornaria uma bola de fogo). Tudo o que está em volta da Terra e que absorve o calor do Sol acaba radiando o calor para fora. Parte dele volta para o espaço, e o resto acaba sendo refletido de volta para a Terra, onde atinge certos elementos na atmosfera, como dióxido de carbono, gás metano e vapor de água. O calor que não consegue sair pela atmosfera da Terra mantém o planeta mais aquecido do que o espaço sideral, porque há mais energia entrando por ela do que saindo. Tudo isso faz parte do efeito estufa que mantém a Terra aquecida



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